A oferta de Marcos Valério Fernandes de Souza, para fazer delação premiada na Operação Lava Jato, é o fato novo dos últimos dias.
Por ter se recusado a contar o que sabia, Valério foi condenado a 37 anos de prisão no Mensalão. Os políticos aos quais serviu, tiveram penas menores, já saíram da cadeia e até obtiveram perdão judicial com base no indulto de fim de ano.
Pivô do Mensalão, Valério poderá fornecer à Lava Jato preciosas informações. Os anos de cadeia devem ter-lhe demonstrado que seus parceiros não são merecedores de sua discrição. Difícil prever, no entanto, que benefícios poderá receber na pena já consolidada.
A Lava Jato é patrimônio da sociedade brasileira. A exemplo da Operação Mãos Limpas, da Itália — que investigou 6.059 pessoas — desvendou malfeitos de executivos de estatais, empresários e políticos que praticaram fraudes em concorrências e licitações, usaram mal o dinheiro público e se beneficiaram de propinas para esquemas eleitorais e partidos políticos; e enriquecer muitos que, eleitos, na ocasião da posse prometeram cumprir as leis e defender o interesse público.
A Mãos Limpas liquidou os principais partidos italianos e encerrou a carreira de políticos, vários de expressão nacional.
Depois dela, a Itália não ficou livre de mazelas, mas não as repetiu. O Brasil da Lava Jato, aos poucos, tende a fazer com que este se torne um novo país.
Não podemos continuar convivendo com uma democracia onde partidos e políticos sustentados pela pilhagem do dinheiro público e pela fraude em certames.
Para que a Lava Jato e suas similares tenham êxito, é preciso rechaçar tentativas de enfraquecimento da Polícia Federal, do Ministério Público e da Receita Federal, seus executores. Essas instituições têm legislação própria, quadros bem formados e não podem ser tolhidas em suas obrigações de ofício.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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