O Brasil foi um país essencialmente agrícola, pelo menos até meados do século passado, quando a indústria sofreu uma grande transformação, sobretudo com a consolidação das montadoras de automóveis. Passamos por movimentos migratórios, dos quais o principal foi o êxodo rural. Muitos agricultores deixavam suas propriedades em busca de melhores condições de vida nas áreas urbanizadas, nas chamadas ‘cidades grandes’, onde as indústrias começavam a se expandir.
Pelo que se tem observado, parece que estamos prestes a fazer um retorno ao passado. O governo Dilma Rousseff (PT) conseguiu nos levar de volta aos tempos em que os produtos industrializados tinham pequeno peso na nossa balança comercial e os do campo dominavam as nossas vendas ao Exterior. O café, que criou muitos ‘barões’, também impulsionou o crescimento de diversos municípios do Interior como a própria Franca, e foi o responsável, ao lado da pecuária, pela eleição de vários presidentes da República.
A situação, hoje, se assemelha à que vivíamos nas décadas de 50 e 60 do século passado. O grande volume de negócios com o Exterior tornava o País essencialmente agrícola. A partir dos anos 1970, com o fortalecimento da indústria nacional, as exportações agropecuárias começaram a pesar menos na nossa balança comercial. Agora, o quadro volta a mudar, por causa da crise econômica que provocou a estagnação no setor industrial. De acordo com o Ministério da Agricultura, a participação dos produtos do agronegócio entre todas as exportações brasileiras cresceu 46,2% em 2015, maior fatia da série histórica iniciada quase duas décadas atrás. Em 2014, a participação foi de 43% e, em 2013, de 41,3%.
O ano passado viu o Brasil exportar volumes recordes de soja em grão, milho, frango in natura, café e celulose, à medida que o dólar tornou os produtos nacionais ainda mais competitivos no mercado externo e na esteira de boas safras de alguns destes itens. O complexo soja (grão, farelo e óleo) ocupou a primeira posição no ranking do faturamento com exportações, totalizando US$ 27,9 bilhões no ano. Até o café, que ainda impacta na economia francana, registrou vendas acima do que vinha ocorrendo nos anos anteriores. Embora seja positivo este crescimento, é bom lembrar que é necessário que a indústria brasileira também recupere o seu peso nas exportações. Só isso será capaz de vencer a estagnação da produção e a queda dos empregos. Para se chegar a isso, o setor depende do governo e não só com desonerações, mas também com um trabalho de fortalecimento através dos bancos de fomento e do Itamaraty, na ampliação de mercados no Exterior. Do contrário, continuaremos dando mais um passo atrás, acabando aos poucos com as conquistas dos últimos cinquenta anos.
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