A represa do Castelinho, inaugurada há quase meio século, corre o risco de se transformar em um grande lamaçal em dois ou três anos. A afirmação é do presidente do clube, João Carlos de Vilhena. Preocupada com o processo de assoreamento do local, a diretoria do clube contratou um engenheiro para fazer um estudo técnico. A conclusão foi de que, com a criação dos novos bairros Santa Clara e Santa Lúcia, o processo se acelerou e, se nada for feito para deter o volume de resíduos e água vindo desses bairros, a represa pode desaparecer.
As fortes chuvas que caíram em Franca no final do ano passado deram uma amostra do estrago. O volume de água vindo dos bairros superou um metro de altura. No caminho, arrastou árvores, pedras, muita areia e lama. O resultado foi o desvio do curso de um dos córregos que alimenta a represa e o rebaixamento da lagoa.
Um pesqueiro que costumava ter a profundidade de 4 metros foi tomado pela lama. Bancos que ficavam à beira da represa para servir aos pescadores também foram destruídos. A pista de corrida que existe em volta da lagoa da represa também está intransitável. “Estou aqui há 23 anos e nunca vi a represa deste jeito. A rapidez como está acontecendo o assoreamento é muito grande. Há 15 dias, o local onde estamos pisando era água”, disse o gerente de manutenção do clube, Celso Donizete Modesto.
Para o diretor do clube Matheus Rodrigues, se nada for feito, as enchentes na região do Galo Branco e na avenida Ismael Alonso y Alonso podem aumentar. “A represa funciona como uma reguladora de vazão. Se ela perder sua capacidade de armazenar água, o volume irá todo para os córregos. Esse não é um problema do Castelinho, mas de toda a cidade.”
Segundo Rodrigues, a diretoria do clube chegou a procurar a Prefeitura de Franca para o desassoreamento da represa. “Levamos ao prefeito (Alexandre Ferreira, PSDB) a cópia do laudo feito pelo engenheiro em março do ano passado. Pedimos providências a respeito dos novos bairros, mas até agora nada foi feito.”
Como não houve resposta, o presidente decidiu apelar para os vereadores. No início desta semana protocolou um ofício, pedindo que a Câmara cobre providências da Prefeitura. “Estamos muito preocupados. Não podemos fechar os olhos para este problema tão sério”, disse Vilhena.
De acordo com ele, o Ministério Público também já foi informado a respeito.
Histórico
Esta não é a primeira vez que a represa do Castelinho enfrenta o problema do assoreamento. Em 2007, durante o governo Sidnei Rocha (PSDB), a Prefeitura em parceria com a Sabesp gastou quase R$ 1 milhão para retirar os resíduos acumulados na represa. Mas com a criação dos novos bairros, o problema voltou. “Segundo o laudo do engenheiro, há problemas nas obras de contenção feitas nos loteamentos. Queremos que a Prefeitura tome providências, porque foi ela quem aprovou a instalação deles. Não adianta o clube gastar para retirar o material se a causa do problema não for resolvida”, disse Matheus Rodrigues.
A Prefeitura foi procurada para comentar o assunto no final da tarde de ontem, mas até o fechamento desta edição não havia respondido ao e-mail enviado pelo Comércio.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.