A coisa certa


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A vida nos presenteia com possibilidades de escolhas, mas fazê-las não é nada fácil. Haverá sempre o risco de cometermos equívocos. No entanto, não há como ter medo para decidir.  
 
Fazer a coisa certa exige maturidade, sabedoria e, claro, conhecimento irrestrito de que podemos errar quando escolhermos.  
 
Fato é que a vida é um misto de prazer e desprazer e, às vezes, decidimos ou fazemos errado justamente para evitar dor, sofrimento, desprazer. A escolha acaba sendo motivada apenas pela paixão e não pela razão.
 
É ai que está o  segredo. É preciso equilibrar razão e paixão. Não dá para ser só racional ou só passional. A coisa certa está, quase sempre, imersa nessa ambiguidade. Deixar de observar isso pode gerar danos incalculáveis. Explico. 
 
Quantas empresas vão à falência pelo fato de seus dirigentes deixarem de refletir sobre os negócios, a viabilidade e a inviabilidade, e continuarem apenas escorados em motivações pessoais ou sentimentais? 
 
Quantos relacionamentos amorosos acabam apenas por não praticarem a tão conhecida - e mal compreendida -  ‘discussão da relação’? 
 
Quando deixamos de entender nossos desejos, preferências e expectativas em relação a nós mesmos, e em relação ao outro, acabamos por viver vida indiferente. 
 
Se assim ficamos, estabelecemos para o outro o mesmo direito. Vamos levando em frente esperando que um milagre se produza. O destino, então, completa tudo: divórcio. 
 
Quantos traumas poderiam ser evitados se houvesse apenas um pouquinho mais de diálogo e de alguma aceitação de pontos de vistas comuns ou antagônicos?
 
O mesmo se dá no campo da política. O destino de nosso país está nas mãos dos que elegemos nossos representantes. 
 
Precisamos escolher com razão e mesmo com paixão quem permanecerá ou não nos representando, mas a busca do equilíbrio necessário à escolha certa terá que ser  gerado no contexto dessa ambiguidade. 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul

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