Conquistas já estão escorrendo pelo ralo


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A falta de interesse em resolver, de forma prática, rápida e eficiente a crise que assola nosso País há pelo menos um ano, permanece. Desde o início do segundo mandato, Dilma Rousseff (PT) e seus aliados buscam saídas para os problemas que os afligem, como a ameaça de impeachment, e deixam de lado a recessão econômica que tem prejudicado trabalhadores e empresários brasileiros. A necessidade de um ajuste fiscal e da aprovação de um novo imposto do cheque, defendida pelo Planalto como a única saída para resolver a crise, a cada dia que passa se mostra frágil. E insuficiente. Vai ser preciso fazer mais, diante dos números que surgem diariamente, mostrando que o buraco não será tapado apenas se o governo conseguir resolver suas contas e seus problemas políticos. Como veremos a seguir, vai ser preciso muito mais.
 
Pelo menos 3,7 milhões de brasileiros deixaram a classe C e voltaram para as classes D e E entre janeiro e novembro do ano passado, apontou estudo da economista Ana Maria Barufi, do Bradesco, publicado na edição de ontem do jornal Valor Econômico. A pesquisa foi feita com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) e da PME (Pesquisa Mensal de Emprego), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No mesmo período, a participação da classe C na pirâmide social do País caiu dois pontos porcentuais, de 56,6% para 54,6%. Uma parcela dessa queda alimentou as classes D e E, cuja participação avançou de 16,1% para 18,9% e de 15,5% para 16,1%, respectivamente. A ampliação do desemprego e a queda da renda são alguns dos principais fatores que afetam a mobilidade social no País.
 
Além disso, outro dado divulgado ontem mostra que a situação é mais difícil do que o governo imagina: o levantamento mais recente da agência de classificação de riscos Fitch, com nove companhias, mostra que, de cada 100 imóveis vendidos, 41 foram devolvidos de janeiro a setembro de 2015. Isso significa quase R$ 5 bilhões de volta na prateleira de venda das grandes empresas, causando grande impacto na construção civil, principalmente no mercado de trabalho. Trata-se de mais um reflexo da recessão que atinge todos os setores produtivos do País. Caso o governo não implante outras medidas mais drásticas, as quais atinjam a sua ineficiente máquina administrativa (que continua sendo utilizada como instrumento de troca para se conseguir apoio político), cortando as despesas correntes do governo federal, nada do que foi feito até agora surtirá efeito, só exigindo sacrifícios de trabalhadores e empresários E esta decisão não pode esperar o Carnaval para ser tomada.
 
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