Depois de cogitar construir uma Cidade Judiciária em Franca e de mudar o Fórum para um prédio alugado na avenida Presidente Vargas, o Tribunal de Justiça avalia a possibilidade de retornar para as antigas instalações na Alonso y Alonso, caso os problemas causados pelas enchentes no local sejam resolvidos. A informação consta de nota enviada ao Comércio pela assessoria de imprensa do TJ e veio à tona no momento em que a Polícia Civil retirou da gaveta o projeto de reunir as principais delegacias no imóvel do Estado, que encontra-se ocioso.
Por conta dos constantes alagamentos, o Fórum mudou-se provisoriamente para o prédio do antigo Calçados Charm, na Presidente Vargas, em dezembro de 2014. O contrato de aluguel, no valor de R$ 90 mil mensais, é de cinco anos renovável por mais cinco. O Poder Judiciário pretendia ficar no local até que sede própria fosse construída no Jardim Noêmia. O terreno foi desapropriado pelo município por R$ 2,5 milhões e doado ao Estado em agosto de 2009. A obra estava avaliada entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões.
Após classificar Franca como prioridade número um para a construção de um novo Fórum, o TJ mudou de ideia e desistiu de fazer a obra. Durante visita a Patrocínio Paulista, em junho do ano passado, o então presidente do Tribunal, José Renato Nalini, disse ao Comércio que o prédio próprio, se um dia sair do papel, teria que ser bancado com verba do Estado. “O TJ está com déficit muito grande para pagar a folha de pessoal. Está tudo paralisado. E nem vai mais investir nisso. O TJ vai cuidar de oferecer o serviço. O Tribunal entra com o juiz. O restante, é governo ou iniciativa privada. O Tribunal não vai mais construir”, disse o desembargador.
Novo e surpreendente capítulo dessa história acaba de ser revelado. Na tarde de ontem, o comando da Polícia Civil em Franca se reuniu com o juiz José Rodrigues Arimatéa, diretor do Fórum, para avaliarem a possibilidade de a instituição ocupar o antigo prédio da Alonso y Alonso e reunir no local a DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) e os 1º, 2º e 3º Distritos Policiais, além de uma central de flagrantes. O objetivo é otimizar o trabalho dos agentes policiais e proporcionar melhor atendimento ao cidadão.
O Comércio questionou o TJ se seria possível viabilizar o projeto da Polícia Civil ou se já havia uma nova destinação para o prédio. Em nota enviada pela assessoria de imprensa à Redação, o órgão informou que, como a licitação para a construção de um novo prédio não prosperou, o Tribunal está em tratativas com a Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania para promoverem as adequações necessárias no edifício a fim de evitar as inundações. “Com isso, a ideia é voltarmos ocupar o prédio e cessar o dispêndio do valor do aluguel.”
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