Segundo o também referencial pintor Pedro Schiratto, a obra de Bortolatto é 'grandiosa e qualificada'
Morreu no domingo, 2h30, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, o consagrado pintor e letrista francano Walter Bortolatto. Estava com 94 anos. No dia primeiro de janeiro, sofreu queda e fraturou o fêmur. Passou por cirurgia e permaneceu internado. Seu organismo não resistiu à fragilidade da idade.
Chegava ao fim a história de um dos mais consagrados pintores de Franca. Segundo a família, foram mais de seis décadas dedicadas às artes plásticas e a um estilo próprio de pintura - cores fortes e vivas - que referenciou várias gerações.
Deixou, viúva, Maria Aparecida de Paula Bortolatto, depois de 66 anos de casamento. Do enlace, duas filhas, Denise (casada com Norival Andrade Coutinho) e Deizilda (casada com Wlamir Zuanazzi), três netos (Cláudia, casada com Demétrius Alexandre Nunes; Gustavo, casado com Luciana e Leonardo); e dois bisnetos (Maria Luisa e Gabriel).
Walter Bortolatto era primo do também pintor francano Pedro Schiratto. Segundo Pedro, "Walter foi, antes de se tornar o pintor extraordinário que se tornou, um exímio letrista, e fez da atividade, seu trabalho. Formou família e foi residir na rua dr. Afonso Pena, onde, aliás, viveu até sua morte."
Walter e as tintas jamais se separaram. Antes, ainda no tempo de criança e adolescente, as utilizou junto ao pai em pintura de paredes de propriedades comerciais e industriais. Depois, como arte pura, quando permitiu que aflorasse dom para pintura em tela.
Em certa época, convivendo com Bonaven-tura Cariolatto, em Franca, Pedro disse que "Bortolatto se tornou um pintor compulsivo. Acredito que ele tenha produzido, daquele tempo em diante, um dos maiores e mais qualificados acervos já criados por um pintor francano, e que estes quadros estejam espalhados por todo o Brasil, e até no exterior, uma obra grandiosa e única."
O pintor Carlos Macedo também fala de Bortolatto com carinho e respeito. "Comecei a pintar em 1994. À época, o artista plástico Wagner Voss de Manezes, um dos baluartes da Pinacoteca Municipal, continuava mantendo um grupo de pintores francanos em seu projeto 'Pintando no Campo', reunindo-os para passeios campestres que estimulavam a transferência de cenários para as telas. Ingressei. Tenho muita honra em dizer que minha pintura cresceu exponencialmente pela convivência com Bortolatto. Tornamo-nos grandes amigos'.
A filha Denise se recorda de anos e anos que seu pai dedicou a aulas, sempre exercitando a vocação de repassar o que sabia. 'Adorava compartilhar sua arte. Por seu atelier passaram dezenas de pessoas que tinham dom, mas não a técnica, e ele se esmerou em transferir conhecimentos que, dizia, não podiam morrer com ele'.
Era, ainda segundo Denise, "um paizão, homem simples, de hábitos simples, um amigo com quem se podia contar, mas profundamente dedicado à família. Sempre alegre, dizia que jamais envelheceria, e seu espírito, realmente, foi sempre jovem."
Walter Bortolatto foi sepultado no domingo, dia 10, no Cemitério da Saudade, com serviços da Funerária Nova Franca.
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