Sem espaço para guardar, polícia devolve veículos para bandidos


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Veículos apreendidos na Operação Lavoura Limpa acumulados na Cadeia do Guanabara em 2015
Veículos apreendidos na Operação Lavoura Limpa acumulados na Cadeia do Guanabara em 2015
Sem ter um local adequado para guardar veículos apreendidos vinculados a inquéritos ou processos judiciais, a Polícia Civil de Franca está sendo obrigada a entupir delegacias e até mesmo liberar para os proprietários carros e motos usados em crimes, como roubos, tráfico de drogas e falsificação. Policiais afirmam que a situação provoca transtornos e atrapalha a investigação de ocorrências.
 
Os veículos envolvidos com crimes eram levados para o Pátio Modelo da Prefeitura, localizado no Distrito Industrial. Por causa da superlotação do espaço, desde o ano passado, o município decidiu receber apenas apreensões por questões administrativas, como problemas na documentação e condições de segurança. Neste caso, como basta apenas regularizar a situação e pagar taxas e diárias devidas, a liberação acontece com mais rapidez e novas vagas são abertas.
 
Carros e motos com restrições judiciais passaram a ser recusados, pois os processos a que estão vinculados demoram anos para serem concluídos. Ocupam espaço e não geram renda. “Estes veículos entram e não saem nunca. Alguns estão no pátio há mais de dez anos. Temos mais de 500 motos e 220 motores se desmanchando e tomando lugar. Não tem jeito de receber mais, pois o pátio não suporta”, disse o secretário de Segurança, Sérgio Buranelli.
 
Com as portas do Pátio da Prefeitura fechadas, a Polícia Civil se vira como pode e tenta guardar os veículos que apreende nos estacionamentos das delegacias. A cadeia do Jardim Guanabara virou uma válvula de escape e está sendo usada como depósito de carros e motos.
 
Foi lá no presídio que a polícia guardou 41 veículos apreendidos durante a operação de combate a agrotóxicos falsificados - Lavoura Limpa, deflagrada em dezembro de 2014. Modelos de luxo, como Camaros, caminhonetes Hillux e lanchas, ficaram expostos ao tempo por mais de cinco meses e se transformaram em criadouros do mosquito da dengue. Como estavam se deteriorando e o processo continua se arrastando, a Justiça decidiu liberar aos proprietários na condição de depositários fiéis. “É um problema sério que estamos enfrentando desde o ano passado. Não estamos encontrando vagas para os veículos que apreendemos em inquéritos policiais. Estamos alocando de forma emergencial nas unidades policiais. Isso não é o correto, pois atrapalha e eleva o risco de danos”, disse o delegado Daniel Radaeli, assistente da Delegacia Seccional.
 
Devolve
Estão se tornando comuns situações em que a polícia se vê forçada a liberar veículo suspeito de ter sido usado em roubo e tráfico, justamente por não ter onde guardar enquanto a investigação é feita. “Isso atrapalha muito o esclarecimento do crime. A melhor maneira de dar um golpe no bandido é dificultando sua ação e tirando os bens que conseguiu com crime. Infelizmente, não está sendo possível”, disse Radaeli.
 
A Polícia Civil elaborou um projeto para a instalação de um pátio próprio para abrigar os veículos e desafogar as delegacias. Por conta da crise financeira, o Estado ainda não abriu a licitação par a abertura do local.

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