Sem ter um local adequado para guardar veículos apreendidos vinculados a inquéritos ou processos judiciais, a Polícia Civil de Franca está sendo obrigada a entupir delegacias e até mesmo liberar para os proprietários carros e motos usados em crimes, como roubos, tráfico de drogas e falsificação. Policiais afirmam que a situação provoca transtornos e atrapalha a investigação de ocorrências.
Os veículos envolvidos com crimes eram levados para o Pátio Modelo da Prefeitura, localizado no Distrito Industrial. Por causa da superlotação do espaço, desde o ano passado, o município decidiu receber apenas apreensões por questões administrativas, como problemas na documentação e condições de segurança. Neste caso, como basta apenas regularizar a situação e pagar taxas e diárias devidas, a liberação acontece com mais rapidez e novas vagas são abertas.
Carros e motos com restrições judiciais passaram a ser recusados, pois os processos a que estão vinculados demoram anos para serem concluídos. Ocupam espaço e não geram renda. “Estes veículos entram e não saem nunca. Alguns estão no pátio há mais de dez anos. Temos mais de 500 motos e 220 motores se desmanchando e tomando lugar. Não tem jeito de receber mais, pois o pátio não suporta”, disse o secretário de Segurança, Sérgio Buranelli.
Com as portas do Pátio da Prefeitura fechadas, a Polícia Civil se vira como pode e tenta guardar os veículos que apreende nos estacionamentos das delegacias. A cadeia do Jardim Guanabara virou uma válvula de escape e está sendo usada como depósito de carros e motos.
Foi lá no presídio que a polícia guardou 41 veículos apreendidos durante a operação de combate a agrotóxicos falsificados - Lavoura Limpa, deflagrada em dezembro de 2014. Modelos de luxo, como Camaros, caminhonetes Hillux e lanchas, ficaram expostos ao tempo por mais de cinco meses e se transformaram em criadouros do mosquito da dengue. Como estavam se deteriorando e o processo continua se arrastando, a Justiça decidiu liberar aos proprietários na condição de depositários fiéis. “É um problema sério que estamos enfrentando desde o ano passado. Não estamos encontrando vagas para os veículos que apreendemos em inquéritos policiais. Estamos alocando de forma emergencial nas unidades policiais. Isso não é o correto, pois atrapalha e eleva o risco de danos”, disse o delegado Daniel Radaeli, assistente da Delegacia Seccional.
Devolve
Estão se tornando comuns situações em que a polícia se vê forçada a liberar veículo suspeito de ter sido usado em roubo e tráfico, justamente por não ter onde guardar enquanto a investigação é feita. “Isso atrapalha muito o esclarecimento do crime. A melhor maneira de dar um golpe no bandido é dificultando sua ação e tirando os bens que conseguiu com crime. Infelizmente, não está sendo possível”, disse Radaeli.
A Polícia Civil elaborou um projeto para a instalação de um pátio próprio para abrigar os veículos e desafogar as delegacias. Por conta da crise financeira, o Estado ainda não abriu a licitação par a abertura do local.
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