De 24, nove mortes continuam sem respostas na DIG


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Imagem de arquivo da DIG
Imagem de arquivo da DIG
O ano de 2016 começou com pendências na Polícia Civil. Mais precisamente no setor de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Isso porque, dos 24 assassinatos, motivados por diversas razões, nove mortes ainda não foram esclarecidas e continuam sob investigação e oitivas. 
 
Entre as histórias registradas, estão crimes passionais, latrocínios (roubos seguidos de mortes) e envolvimento com drogas. E foi justamente 2015 o ano mais violento e com mais crimes dessa natureza dos últimos sete anos. Foram 24 casos. “Estou na DIG há nove anos e nunca tive um ano em que ocorreram tantas mortes como em 2015. O recorde foi em 2009, período em que 22 pessoas foram assassinadas”, disse o delegado Márcio Garcia Murari, responsável pela DIG.
 
E o que impede a polícia de deixar a família das vítimas sem respostas acerca do que aconteceu segundos, minutos e horas antes de terem suas vidas ceifadas? Em alguns casos, a negação de testemunhas em contar o que viram atrapalha as investigações. Um exemplo foi o duplo homicídio em um bar no Jardim Aviação. No dia 28 de fevereiro, o sapateiro Frank Hartman, 31, e o desempregado Rafael Vituriano, 28, tiveram a vida interrompida por um indivíduo ainda desconhecido pela polícia.
 
Aproveitando-se do fato de ter quase 200 pessoas no tradicional forró que o estabelecimento promovia às sextas-feiras, um homem entrou no local e disparou em direção à mesa em que as vítimas estavam. Ele acertou um tiro na nuca de Hartman e Vituriano tinha perfurações no braço e no peito. Em seguida, fugiu com um comparsa. E a lei do silêncio, quase um ano depois, continua imperando no bairro.
 
Para os investigadores responsáveis pela elucidação dos homicídios, Paulo Rodrigues e Luciano Tavares, o não-esclarecimento dessas nove mortes se dá justamente pelo fato das testemunhas não falarem o que viram devido ao medo. “Muitos sabem o que pode ter motivado o crime e o que aconteceu, mas deixam de falar porque temem. E, mesmo que a gente tenha o serviço denúncia e preservação da identidade de quem nos ajuda, as pessoas não dizem nada”, afirmou Luciano.
 
Ainda de acordo com Murari e os policiais, as denúncias podem ser feitas de forma anônima e muito contribuem com a investigação. Elas podem ajudar essas famílias, amigos e pessoas que aguardam uma resposta e um desfecho que ao menos as conforte após a morte das vítimas.
 
Quem tiver alguma informação sobre os responsáveis pelos homicídios (confira o quadro) pode entrar em contato com a DIG através do (16) 3724-1854 ou pelo Disk Denúncia, no 197.
 
 
SOB INVESTIGAÇÃO
 
Confira os casos de homicídios registrados em Franca no ano passado que ainda não foram esclarecidos
 
Frank Hartman, 31 anos e Rafael Vituriano, 28, 
•28 de fevereiro
Um forró em um bar do Jardim Aviação terminou em tragédia. Na madrugada do dia 28 de fevereiro, Frank, 31, e Rafael, 28, foram alvejados. Cerca de 200 pessoas participavam do evento quando os dois foram mortos. Nenhuma deu a identificação do autor dos disparos. Até hoje, os investigadores buscam respostas para o duplo homicídio, que pode estar ligado ao crime de tráfico de drogas.
 
 
Cláudio Alberto Ferreira, 39 anos, 
•16 de maio
O sapateiro Cláudio Alberto Ferreira, 39, foi morto com um tiro nas costas dentro de sua própria casa, no Jardim Aeroporto III, onde residia com a mulher. Segundo os policiais, a vítima era usuária de drogas e havia se envolvido em uma briga em um bar no dia anterior. O assassino, porém, ainda é desconhecido.
 
 
Antônio Joaquim, 69 anos, 
•14 de junho
O aposentado Antônio Joaquim, 69, foi encontrado desacordado e ferido em um corredor de sua casa, no Jardim Paulista, no dia 14 de junho. O laudo dos peritos do IML (Instituto Médico Legal) apontou que o homem estava com ferimentos pelo corpo e na cabeça. O caso continua sendo investigado como latrocínio (roubo seguido de morte) pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais).
 
 
Denner Silva, 21 anos, 
•03 de julho
A morte do pintor Denner Silva, na Vila São Sebastião, em julho, ainda é uma incógnita para a polícia. O jovem de 21 anos levou dois tiros, um no peito e outro na perna esquerda, e morreu antes mesmo de ser socorrido. O homicídio pode estar ligado ao tráfico de drogas, uma vez que foram encontradas cinco cápsulas de cocaína perto do corpo da vítima.
 
 
Thiago dos Santos, 25 anos
•31 de agosto
Thiago dos Santos, 25, foi executado no Jardim Aeroporto II no dia 31 de agosto do ano passado. O corpo dele foi encontrado caído no fundo de uma ribanceira que liga o Jardim Aeroporto II ao IV. O jovem, que possuía passagens policiais por furto e era usuário de drogas, levou um tiro na cabeça, um na virilha e outro que atingiu a parte de trás da perna. Ainda não se sabe quem o matou e os motivos.
 
 
Samuel Medeiros, 18 anos, 
•4 de setembro
Cinco tiros acertaram o pedreiro Samuel Medeiros, 18, em uma rua da Vila Aparecida, no dia 4 de setembro. Ele e um amigo foram alvejados por dois homens que fugiram em uma moto. Mas apenas o jovem sofreu graves ferimentos e morreu antes mesmo de chegar à Santa Casa. Ao contrário dos outros crimes, os investigadores da DIG já têm suspeitos de terem cometido o homicídio. Mas ainda faltam detalhes para a elucidação do crime.
 
 
Pedro Ponce Fernandes, 76 anos, 
•14 de setembro
Mais um caso de latrocínio foi registrado em Franca em 2015. Em setembro, a vítima foi o agricultor Pedro Ponce Fernandes, 76. Ele teve o crânio esmagado por um instrumento contundente e foi encontrado morto em sua chácara, localizada perto da Vila Hípica. Apesar de, na época do crime, o genro da vítima ter dito que nenhum objeto foi levado, o porta-documentos de Fernandes estava revirado, o que indica que ele pode ter sido roubado antes de ser assassinado. Não há suspeitos.
 
 
Adilson Moreira de Meirel, 36 anos, 
•7 de dezembro
Após assaltar a propriedade do sitiante Adilson de Meirel, 36, na rodovia Fábio Talarico, bandidos fugiram com R$ 3 mil. Eles encontraram a vítima no caminho e deram um tiro em sua cabeça. Um dos ladrões, Guilherme dos Santos, 24, foi morto após empreender fuga e entrar em confronto com a PM. Um adolescente, 16, confessou dias depois ter participado do latrocínio. Um terceiro envolvido é investigado e o caso está para ser esclarecido.

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