Os dois Cartórios de Registro Civil de Franca contabilizaram 2.539 casamentos em 2015. O número está abaixo dos 2.691 oficializados em 2014 (152 a menos) mas, segundo o 1º cartório, que possui maior parte dos registros, a variação não é significativa e é até mesmo esperada de um ano para outro.
Se por um lado a diminuição do registro civil não é tida como relevante, a das festividades é vista com cautela pelas casas especializadas. “Acredito que o setor, de modo geral, tenha tido uma queda de 50%. Isso porque, além de ter havido menos casamentos, tivemos um aumento no número de salões, buffets e profissionais do ramo”, disse a cerimonialista Rose Victal.
Os profissionais que afirmam não terem tido diminuição da clientela relatam que os eventos ficaram mais enxutos e que a criatividade tem sido, muitas vezes, a chave para aliar economia e qualidade nos tempos de instabilidade econômica. “Temos visto mudança nos cenários decorativos. As flores, que estão com o preço elevado, têm sido substituídas por peças decorativas. Além disso, os casais têm optado por contratar bandas com repertório variado para garantir diversos estilos de música no evento em vez de contratarem uma banda para músicas dançantes e uma dupla sertaneja, o que era muito comum”, disse a proprietária da Mirela Cerimonial, Mirela Leite de Paula.
Outra alternativa também adotada é a mistura de flores naturais às artificiais nas decorações, como afirma a proprietária da Versat Cerimonial, Daniela de Andrade Vieira. "As naturais ficam à altura dos olhos, em locais mais evidentes, e as artificiais em locais estratégicos, como o alto da decoração e locais de menor luminosidade. “É possível economizar bastante desse modo sem perder o efeito desejado". Outra mudança relatada é a busca por cozinheiras em vez de buffets para cuidar do cardápio. Ainda segundo Daniela, para equilibrar a queda na escolha por grandes festas, sua empresa adequou pacotes mais acessíveis para atingir um maior número de clientes.
Casamento dos sonhos
Mesmo em meio à crise, a professora Michelle Silveira conseguiu realizar o seu casamento dos sonhos em novembro do ano passado. Salão, decoração, cardápio, vestido. Tudo como ela sempre quis. O mérito do feito, segundo ela, foi o planejamento antecipado. Assim que decidiram se casar, Michelle e o noivo Marx Zoca começaram a poupar e assim o fizeram por cerca de dois anos. Sempre pesquisando preços e fechando negócios com antecedência.
“Começamos a poupar em 2014 e, como já dava para perceber que 2015 seria um ano incerto, fomos fechando os contratos naquele ano. Mesmo assim, com toda antecedência, tivemos imprevisto”, disse. Segundo Michelle, o primeiro salão com o qual chegou a assinar contrato prometeu incluir benfeitorias no espaço até a data de seu casamento, como ar condicionado. Pouco tempo antes de se casar, ao visitar o local, observou o descumprimento do acordo, formalizado verbalmente.
“Fui consultar o contrato e só constava adequações do espaço mas não especificava os itens que tínhamos combinado verbalmente. O dono do local reconheceu a falha e me devolveu o dinheiro mas, se quisesse ter agido de má fé, ele poderia. Por isso, a dica que eu dou é sempre pontuar os acordos no contrato e de forma específica”, afirmou.
Para o casal, planejar é essencial para evitar dissabores. “É um momento de realização de sonho, em que é fácil acabar sendo explorada por preços abusivos, por exemplo. Por isso, se planejar antecipadamente é uma forma de fazer o que deseja sem cair em pegadinhas”.
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