Fotos que mostram grande volume de latas de tintas vazias empilhadas, sem tampas, em local exposto à chuva no Jardim Zoobotânico de Franca foram enviadas ao Comércio, na última quinta-feira, por um leitor. A situação preocupa por conta do risco de proliferação do Aedes aegypti: Mosquito transmissor de doenças como a dengue, febre chikungunya e zika.
“Aquelas latas são reutilizadas para plantar mudas mas estão ficando entulhadas. O problema é que, mesmo viradas de cabeça para baixo, as bordas são capazes de acumular água”, disse a fonte que pediu para não ser identificada. “Sei que todos os dias os funcionários costumam ser picados por mosquitos. Um dos estagiários de lá foi diagnosticado com dengue. É claro que a gente não pode afirmar com certeza de que ele tenha contraído a doença lá, mas é um risco”.
A reportagem esteve no local um dia após o envio das imagens, mas o cenário havia mudado. Embora houvesse latas empilhadas, a quantidade era consideravelmente menor do que a registrada pelas fotos. Conforme uma segunda fonte ligada ao local, no mesmo dia em que as fotos foram feitas, grande parte do material foi recolhido à pedido do próprio Jardim Zoobotânico para, justamente, eliminar possíveis focos de dengue. “Essas que ficaram, pusemos de cabeça para baixo e já nesta semana elas serão utilizadas para o plantio”, disse.
Nem todas as latas encontravam-se de ponta-cabeça na tarde da última sexta-feira. Durante sua passagem, a reportagem avistou algumas posicionadas horizontalmente, embora estivessem completamente secas. Já nas bordas de outras que se encontravam de cabeça para baixo havia água parada.
A Vigilância Ambiental foi acionada e, de acordo com o diretor da divisão, José Conrado Netto, uma equipe será enviada ao local para avaliar a situação. “O Zoobotânico já é um local que consideramos como ponto estratégico, ou seja, propício à proliferação do mosquito, assim como desmanches e cemitérios. Por isso, temos equipes específicas que o vistoriam de modo periódico, no máximo de 15 em 15 dias, e aplicamos larvicidas. É possível que esse seja o caso (das latas), mas preciso confirmar com nossa equipe, na segunda-feira”, disse na tarde de sexta. Ainda segundo Netto, os funcionários do Jardim Zoobotânico serão orientados a transferir o material a um local mais apropriado, não exposto ao tempo.
Sobre a dengue
De acordo com o último balanço da Vigilância, até meados de dezembro de 2015, Franca registrou 1.521 casos de dengue, número muito superior aos 416 de 2014. Em abril do último ano, a situação foi considerada epidêmica fazendo com que os exames laboratoriais para confirmação da doença deixassem de ser feitos e, assim, pacientes com dois ou mais sintomas passassem a ter o diagnóstico de forma imediata.
Neste ano nenhum caso foi confirmado ainda. “Em janeiro, já temos 13 casos suspeitos. É preciso eliminar o criadouro do mosquito para que ele não se prolifere e propague doenças”, disse Netto. Em março do ano passado, houve uma morte por dengue na cidade. A vítima teve doenças crônicas agravadas pelo vírus e veio a óbito.
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