Secura de corações


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Regiões que antes recebiam até geadas — como a nossa, que, invejavelmente fresca, atraía forasteiros calorentos para aqui se fixarem —, agora apresentam altas temperaturas que incomodam até os mais friorentos. 
 
Ante os fenômenos desastrosos que dizimam tantos, angustiam muitos, assustam todos, inundando ali, esturricando acolá, sufocando geral, parece que, segundo o recente acordo climático de Paris, a humanidade já não ignora ser ela mesma a autora de ações físicas cuja reação natural lhe impõe sofrimento, mas continua ignorando que também é sua a autoria psíquica. 
 
Bem explicado, fica assim: se no nosso planetinha prevalecesse a psicosfera do bem, nosso viver seria harmonioso e sereno, como harmoniosos e serenos são os mundos superiores, por desconhecerem a maldade. 
 
É que a misericordiosa concessão do livre-arbítrio é interpretada conforme nossas conveniências materiais. Daí, a razão pela qual Jesus nos advertiu: ‘a cada um segundo as suas obras’, o que se aplica também à coletividade. 
 
O acordo parisiense decidiu que geratrizes de poluentes podem ser substituídas. Sabe-se também que é preciso mesmo que se desmate e prepare-se o solo para o nosso bem-estar e subsistência. O que não podemos, contudo, é fazê-lo de forma indiscriminada. Se o homem polui, desfloresta, aleija, mata, rouba, são de natureza negativa as energias que aplica nas suas ações infelizes que, por sua vez, provocam reação de energias igualmente negativas, se considerada a newtoniana equação física e moral segundo a qual ‘a cada ação corresponderá sempre reação igual e em sentido contrário’.
 
As agressões telúricas, climáticas, atmosféricas, como terremotos, calor intenso, maremotos, tempestades são frutos de nossa semeadura infeliz. A Lei, porém, é sábia e justa. Se os fenômenos naturais nos constrangem com respostas incômodas, são, no entanto, o remédio eficaz a nos impor reflexões corretivas, hidratando-nos a secura dos corações.
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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