A honestidade, um dos valores que deveriam ser cultivados em todos os momentos de nossa vida, passa a ser vista como algo incomum, no seio de uma sociedade onde a corrupção se torna corriqueira. Ser honesto, nos dias de hoje, é uma exceção. O brasileiro traz arraigada em seus atos aquela máxima, disseminada num anúncio de cigarros, há cerca de três décadas, de que “é preciso levar vantagem em tudo”, mesmo que seja por meios ilícitos. Vê-se, nos mais diferentes níveis de nossa sociedade, a invenção de esquemas fraudulentos que atingem todos nós. A partir do momento em que se tenta corromper um agente público para se evitar uma multa, estamos dando os braços para a corrupção, que explode nos mais altos níveis, envolvendo políticos e agentes públicos. Os prejuízos são enormes para toda a sociedade, que se vê abandonada por aqueles que deveriam zelar pelo seu bem estar.
Um fato ocorrido na última quinta-feira chamou a atenção: o trabalhador rural João Carlos Sanches, 62, mais conhecido como Galizé, deu um exemplo raro de honestidade e caráter. Ele encontrou uma pasta com mais de R$ 135 mil em cheques e dinheiro jogada na rua em Cruzeiro do Oeste, na região Oeste do Paraná, e devolveu ao legítimo dono. Além da gratidão, recebeu R$ 400 de recompensa. De acordo com as informações, desde o início ele não pensou em ficar com o dinheiro: foi à polícia e entregou a pasta. A partir do momento em que ações como a de Galizé se torna notícia, é possível ver qual o caminho que estamos seguindo e a sociedade que pretendemos legar aos nossos herdeiros. Do jeito que está, as perspectivas de um futuro apocalíptico ficam cada vez mais reais.
Ao devolver o dinheiro, o trabalhador rural deixou claro qual é o seu caráter e qual sentimento move suas ações. O valor era muito alto e qualquer outra pessoa poderia se sentir tentada a guardar para si a quantia. Galizé nem pensou duas vezes. Sua atitude deveria servir como exemplo para todos realizarem um exame de consciência e perceber que as fraudes e os roubos, que alimentam uma corrupção histórica no País, só servem para atravancar o nosso crescimento, moral e econômico. O Brasil precisa urgentemente de um choque de honestidade envolvendo desde os políticos que elegemos para nos conduzir até o agente responsável por nossa segurança. A partir do momento em que o ato de ser honesto volte a ser encarado com naturalidade por todos, o Brasil conseguirá deslanchar e ocupar o lugar de protagonista no mundo. Enquanto a honestidade for encarada como exceção, estaremos nas mãos daqueles que veem a maioria de nossa população (esta, sim, honesta) como instrumento de suas próprias ambições.
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