Medicamentos controlados para doenças graves estão em falta na farmácia de alto custo de Franca, de acordo com usuários da unidade, que é mantida pelo Governo Estadual. Alzheimer, esquizofrenia e problemas respiratórios estão entre as doenças para as quais os remédios não têm sido encontrados. Além desses, fraldas geriátricas e suplementos nutritivos também faltam.
O sapateiro desempregado Maciel da Silva, 62, está desesperado com a falta do medicamento que sua filha toma para controlar a esquizofrenia, o Topiramato. “Ela já foi internada três vezes no ‘Allan Kardec’. Se ela ficar sem, pode piorar e ser internada de novo”, disse o pai da usuária. Outro problema é a dificuldade para bancar a compra do medicamento. “Estou sem emprego, não tenho como comprar”, disse.
A farmacêutica aposentada Yara Oliveira, 60, também está preocupada com a falta de medicamentos. Neste mês, ela não conseguiu retirar o medicamento chamado Galantamina, utilizado pela sua mãe, que tem 85 anos, para tratamento do Alzheimer. O produto custa em torno de R$ 500. “Sem o remédio, ela piora muito, ele ajuda a não deixar a doença avançar”, afirmou a aposentada.
O remédio Alenia, utilizado no tratamento de doenças respiratórias, também está esgotado. A dona de casa Raquel Cristina Pereira da Silva, 36, retira o produto para sua sogra, que sofre com falta de ar e possui enfisema pulmonar.
Outros produtos
Além dos medicamentos, suplementos alimentares e fraldas também estão em falta. A auxiliar de cozinha Fernanda Policarpo, 35, não conseguiu pegar ontem o suplemento que sua mãe, que tem câncer, precisa. “Ela tem 67 anos e está com 37 quilos, então ela precisa do suplemento para não emagrecer mais”, explicou.
O pedreiro Ronaldo de Assis Pereira, 35, veio de Patrocínio Paulista buscar fraldas para uma vizinha e perdeu a viagem. “É a segunda vez que venho e não tem”, afirmou.
Justificativas
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde informou que sobre os medicamentos Topiramato, Alenia e Galantamina houve atraso na entrega por parte dos fornecedores. As empresas estão sujeitas à multa.
Também houve desabastecimento de fraldas descartáveis, porém, uma nova compra foi realizada e alguns pacientes já puderam retirar parcialmente o produto. Em relação ao suplemento alimentar, o item está em processo de compra e a situação deve se normalizar em breve. A assessoria não informou prazos exatos.
A unidade atende cerca de 600 pacientes por dia, de Franca e região, de acordo com dados da Diretoria Regional de Saúde, de 2015.
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