Viagem, presentes, passeios, roupas, ceia. Dezembro acabou e, com ele, o dinheiro extra do fim de ano. A situação descrita pode ser uma combinação perigosa para muitos consumidores que se deixam levar pelos excessos da época, sem estabelecer o planejamento financeiro que janeiro exige, já que é neste mês que contas como IPVA, IPTU, matrícula e materiais escolares, bem como alta fatura do cartão de crédito, se acumulam sobre as responsabilidades habituais, pesando no bolso do trabalhador.
Embora a pressão das contas seja grande, o primeiro passo é controlar a ansiedade e não se desesperar. De acordo com a consultora de finanças pessoais Suyen Miranda, ainda há tempo para focar as energias em um plano de ação que envolve levantamento rápido de recursos, comprometimento e geração de renda extra.
“Primeiramente, faça um cálculo de tudo a ser pago e o que há para receber. Você tem uma semana até que as contas comecem a chegar, então não encare o banco como algo que tema. Se você tem acesso a uma linha de crédito, use isso para quitar o excedente. Mas, antes, pesquise em vários bancos e financeiras a menor taxa de juros e não tenha vergonha de pechinchar.”
Após tomar pé dos gastos e conseguir o recurso, é hora de priorizar. Contas com altas taxas de juros não podem ser esquecidas. O IPVA, por exemplo, ao ser pago integralmente, rende desconto de 3% ao passo que, segundo a Secretaria da Fazenda, o contribuinte que deixar de recolher o imposto fica sujeito a multa de 0,33% por dia de atraso e juros de mora com base na taxa Selic. Passados 60 dias, o percentual da multa fixa-se em 20% do valor do imposto.
Outra conta que oferece bom desconto ao ser quitada é o IPTU. Pago até 15 de janeiro e 15 de fevereiro, é possível conseguir abatimentos de 10% e 5%, respectivamente.
Dinheiro extra e negociações
Ainda segundo a consultora de finanças pessoais Suyen Miranda, se acomodar com o dinheiro do empréstimo pode ter o efeito contrário do esperado, já que a parcela do mesmo se juntará às contas habituais - água, luz, aluguel ou financiamento - no decorrer dos meses. Para evitar o endividamento, é preciso pôr em prática o comprometimento.
“É hora de usar a criatividade para ganhar dinheiro. Aí, é válido: realizar serviços como reparos domésticos, faxinas, tirar sobrancelhas, comida caseira, conserto de roupas, computadores... Fora isso, também é possível montar um brechó e vender utensílios que não esteja usando. São saídas para que haja renda extra para ajudar a pagar o empréstimo. Em alguns casos, é válido pensar em trocar o carro cuja parcela seja alta por um de menor valor.” Ainda sobre o comprometimento, prazeres supérfluos, como saídas a barzinhos, pacote extensivo da TV a cabo devem ser cortados ou, no mínimo, reduzidos.
Outra estratégia que pode ajudar no momento do sufoco são as negociações. Antes de se tornar inadimplente, o consumidor deve procurar seu credor e analisar opções.
“Na educação, por exemplo, se os filhos estudam em escolas particulares, vale tentar pedir desconto ou até um acordo para diluir a matrícula nas mensalidades. Outra coisa é quanto ao material escolar. Mesmo em escolas públicas, como cursos técnicos, cujo material deve ser adquirido, é válido procurar por pessoas do ano à frente e reutilizar esse material”, disse Miranda. Ainda no raciocínio de reutilizar, verificar itens em bom estado do ano anterior também é um modo de economizar na hora da compra dos materiais.
“As crianças, geralmente, querem materiais da moda. Mas não é nada que uma boa conversa, explicando essa situação temporária, não resolva”, afirmou. “O importante, nesse momento, é não se pôr aflito e esquecer o orgulho. Não há demérito algum em realizar faxinas e reparos domésticos, independentemente da profissão que exerça.”
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