Nos anos 1980 e 1990, uma palavra se tornou bastante popular, quando se buscava saídas para empresas em crise, setores ineficientes e até para relacionamentos: “reengenharia”. Na época, seria uma saída para tudo, havendo até candidatos a cargos executivos clamando pela necessidade de uma reengenharia total para recuperar as administrações diante das despesas crescentes que chegavam a atravancar a evolução dos gastos nos setores mais sensíveis, como saúde e educação. Hoje, na realidade, o governo federal está necessitando de uma completa reengenharia, baseada em uma auditoria séria que permita o enxugamento da máquina pública, reduzindo o peso do Estado. O Palácio do Planalto precisa encontrar um rumo onde a maioria não seja tão prejudicada, enquanto a minoria (a classe política em particular) mantém mordomias e esquemas fraudulentos para encher os próprios bolsos.
Nos últimos tempos, o governo federal vem dando amplas mostras de uma incompetência generalizada. Enquanto cobra sacrifícios da classe produtiva, com aumento de impostos, restrição de benefícios trabalhistas e criação de tributos que já estavam sepultados, como a CPMF, evita fazer a sua parte para manter os apoios oportunistas que lhe dão uma falsa sensação de governabilidade. Das medidas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff (PT) para reduzir o peso da máquina administrativa, nem a redução de ministérios resultou em resultados positivos. Dos 3 mil comissionados que seriam demitidos (um pingo no oceano), apenas 300 foram dispensados. Apenas nós, que trabalhamos e produzimos, somos obrigados a pagar pelo descontrole da economia provocado pela presidente.
Agora, surge a informação de que o MEC (Ministério da Educação) perdeu R$ 10,5 bilhões, ou 10% do orçamento, em 2015, ano em que a presidente Dilma Rousseff escolheu o slogan “Pátria Educadora” como lema de seu segundo mandato. Cortes em programas, pagamentos atrasados e trocas de ministros (o ministério teve três comandantes em 2015) marcaram o ano da pasta. Além disso, houve cortes em setores importantes, como as áreas de saúde e de infraestrutura, barrando-se até o reajuste do programa Bolsa Família (a medida mais recente tomada por Dilma). Até a Polícia Federal sofre com a redução de repasses. Embora brigue pelo ajuste fiscal, o governo não busca cortar as suas despesas e aglutinar os outros dois Poderes (Judiciário e Legislativo) num esforço inédito no sentido de colocar as contas públicas nos eixos. Se não houver mudança de postura, vamos continuar sendo sacrificados para que haja a manutenção de mordomias no âmbito dos Três Poderes. Assim, dificilmente conseguiremos dar a volta na crise que afeta a maioria da população brasileira.
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