Uma mulher de 35 anos teve a casa invadida e foi sequestrada pelo ex-marido, sapateiro de 42, e um comparsa no Residencial Colina do Espraiado, por volta da 1 hora de quinta-feira. Ela e o atual namorado, que veio dos Estados Unidos para passar com ela o Ano Novo, tiveram arma apontada para suas cabeças, sofrendo ele agressões com barra de ferro e pé de cabra. “Fizeram tortura psicológica e física o tempo todo. Levaram ela da casa, a sequestraram!”, disse o atual.
“Diziam que eu não sairia vivo de lá. Eu não estava entendendo nada. Me deitaram de bruços e disseram para eu não olhar. Foi quando eu ouvi ela chamar um deles pelo nome. ‘Fulano, por favor, não faz isso não.’ Aí eu soube que ele era o ex dela”, disse o agredido.
Após os apelos, a sessão de ameaças continuou e os invasores iniciaram uma busca pelos pertences do atual. Remexeram malas, roupas e ficaram com o celular do mesmo. Passaporte, documentação e dinheiro que estavam guardados em um canto de um armário não foram encontrados. Finalizada a ação, a dupla levou a mulher de casa.
“Eu pensei que fosse morrer”, disse ela, sobre o que aconteceu durante o percurso do sequestro, que foi do Espraiado até o Campo Belo. “O tempo todo ele (o ex) falando que queria me matar logo, para acabar de vez com aquilo. Ele estava com a arma na minha nuca. Eu estava no banco da frente e ele no de trás. Disse que ia cortar o meu cabelo. O (comparsa) que estava do meu lado dizia que queria me cortar para ver o sangue”, contou. Segundo a vítima, ação semelhante nunca foi esperada por ela em relação ao ex-marido, que há oito meses não vivia mais com ela.
Após chegarem ao Campo Belo, a dupla decidiu retornar ao imóvel para buscar o namorado da mulher para, segundo teriam dito a ela, matar os dois. Quando chegaram, o atual já havia acionado a polícia. “Voltaram para me buscar. Mas eu comecei a gritar pelo vizinho: ‘Chama a polícia. Socorro!’. Gritei com toda força que eu pude. A polícia chegou e eu gritei para que eles arrebentassem a porta. Eles arrebentaram, me tiraram de lá de dentro”, disse o atual namorado da vítima.
Com a chegada do socorro, a dupla abandonou o imóvel deixando as vítimas ali. Em busca pelo perímetro, os policiais conseguiram encontrar o ex, a barra de ferro e o pé de cabra nas proximidades da residência. A arma e o comparsa, no entanto, não foram encontrados.
Apesar das vítimas descreverem a ação como sequestro, o delegado Leopoldo Gomes, que atuou no caso, classificou a ação criminosa como roubo com aumento de pena por restrição de liberdade da vítima, emprego de arma e pela participação de mais uma pessoa. O indiciado também foi acusado de ameaça vinculada à lei Maria da Penha. O sapateiro foi preso no CDP.
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