O que parecia impossível, aconteceu. Fecharemos o ano com a caderneta de poupança rendendo pouco mais de 8% e a inflação oficial batendo em quase 11% no ano.
Quem buscou a segurança do investimento garantido pelo governo, resultará com seu capital defasado em mais de 2%.
É clara demonstração de que a economia nacional necessita de grandes transformações. Depois de levar na cabeça, pequenos investidores deixarão de investir ou procurarão alternativas, entre elas o dólar, que mantém o poder de compra.
A inconsistente política econômica dos últimos anos que, através de renúncia fiscal e expansão temerária do crédito alavancou o mercado e endividou a população, conduziu a esse estado de coisas.
Somada à gastança do governo que não quer reduzir o preço de sua máquina, resultou neste Brasil inadimplente — deixamos de pagar até a ONU e, por cumprirmos o Acordo Internacional do Café, estamos sem poder de voto mesmo sendo o maior produtor mundial da rubiácea.
Precisamos de urgente correção de curso. Um país que mantém milhares de contratados por via política, a maioria sem ocupação definida, não pode continuar impondo prejuízos ao cidadão que, na tentativa de proteger seu parco dinheirinho, o deposita em caderneta de poupança.
Também não pode continuar penalizando o empresariado que, distante das maracutaias dos grandes lobbies, só soube trabalhar e atender a mercado que se dizia florescente.
Pelo que se vê hoje, todos os esforços empreendidos por estabilização econômica durante anos, estão sob risco.
A inflação alta, os artifícios usados ora para privilegiar setores, ora para penalizar o trabalhador e o cidadão, nos passam a sensação de uma nação sem lei.
Essa pífica economia, juntada à crise política certamente encaminhará crise social que, se chegar, ninguém poderá prever consequências...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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