Que a punição seja exemplar


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Foi bastante comentada nesta semana a notícia de que o Procon-Franca (órgão de defesa do consumidor) aplicou uma multa de R$ 610 mil na CPFL/Paulista (Companhia Paulista de Força e Luz), por causa dos apagões registrados na cidade nos últimos meses, prejudicando milhares de residências e estabelecimentos comerciais. Trata-se de uma multa que ainda precisa ser analisada pela direção do órgão, em São Paulo, mas não pode cair na vala comum do esquecimento. Mais do que isso: a punição tem que ser confirmada e corroborada também pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), para que a concessionária do serviço em Franca trabalhe firme com o propósito de evitar outros apagões futuros que prejudiquem ainda mais trabalhadores e empresários francanos.
 
A questão vai muito mais além da multa. Hoje, a população de Franca reclama de quedas e picos de energia cotidianos que prejudicam aparelhos eletrodomésticos, computadores e até a produção de fábricas. Por causa disso, a empresa responde a mais de 20 processos administrativos abertos por consumidores prejudicados pelas constantes quedas de energia. Eles tiveram aparelhos eletrônicos queimados e não foram ressarcidos pela CPFL. Mesmo pagando o seguro que empresa cobra em conta, é extremamente difícil conseguir o ressarcimento dos prejuízos. A falta de investimentos constantes na melhoria da rede é patente: quando cidades de vários países modernizam as ferramentas de transmissão de energia, investindo em redes subterrâneas, ainda vemos por aqui apenas postes e fios em rede aérea, que são danificados durante chuvas mais torrenciais, pela queda de árvores, estruturas de casas ou então uma colisão de trânsito.
 
É necessário que o dinheiro pago pelo consumidor e pela Prefeitura seja aplicado em soluções que minimizem os danos e reduzam a quase zero as chances de apagão. O brasileiro paga muito por um serviço essencial que não pode sofrer secções da forma como acontece em Franca. Por isso, a população tem razão em reclamar, pois é quem mais sofre com as alterações no fornecimento de energia. A CPFL precisa arcar com a sua falta de planejamento e investimentos, embora apregoe prestar um serviço de excelência que, na prática, não é corroborado pelo consumidor do município. Mas o mais importante é que passe a encarar o serviço que presta não só aqui em Franca mas em outras cidades paulistas com maior seriedade. Do contrário, pelo que o Procon-Franca deixou claro com a sua decisão, novas multas virão por aí caso os apagões se repitam.
 
 
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