O aposentado francano Carlos Alberto Lourenço, de 61 anos, conquistou na Justiça o direito de receber fosfoetanolamina, substância que ficou conhecida como a “pílula do câncer”. A ordem para que o medicamento seja fornecido foi dada pelo juiz federal substituto Émerson José do Couto.
A advogada Rosalina Faleiros, que representa Carlos, disse que desde o início de 2014 ele vem lutando contra um câncer no pâncreas. “Ele já se submeteu a todos os tipos de tratamentos convencionais, mas infelizmente não obteve sucesso. A doença continuou evoluindo. Os últimos exames, feitos agora no final de outubro, mostram que já houve metástase”, disse ela.
Com a fosfoetanolamina, Carlos acredita que suas dores possam ser amenizadas e ainda tem a esperança de que o câncer regrida. “Ele acredita que, com a fosfoetanolamina, ele poderá deter a evolução da doença e ter uma qualidade de vida melhor, já que há relatos da diminuição das dores”, disse a advogada.
Como a substância ainda não foi testada cientificamente em humanos e não há comprovação de seus efeitos no organismo, Carlos assinou um termo de responsabilidade assumindo os riscos do tratamento. “Essa talvez seja a última chance que ele tem de vencer essa doença que castiga tanto as pessoas. Eu acredito que todos temos o direito a uma vida melhor e a tentar sobreviver, por isso me envolvi com esse caso e continuo trabalhando para que mais pessoas tenham acesso à pílula”, disse Rosalina Faleiros.
Na decisão, o juiz afirma que a “Constituição Federal garante a todos o direito à saúde e à vida”. “Ainda não há estudos conclusivos sobre a eficácia do uso da fosfoetanolamina no tratamento de neoplasias (cânceres), mas há inúmeras notícias sobre melhoria na saúde dos pacientes. Além disso, só o simples fato de a substância dar esperança ao doente, já justifica seu fornecimento”, escreveu também na decisão.
O juiz determinou que o Instituto de Química da USP (Universidade de São Paulo), em São Carlos, seja obrigado a fornecer a substância em sete dias sob pena de multa diária de R$ 5 mil. “Pelo que temos acompanhado, acredito que o fornecimento deva começar agora na primeira semana de janeiro. Estamos muito felizes com a decisão”, disse a advogada.
Mais um
Carlos Alberto é o segundo francano a conseguir a pílula na Justiça. No início de novembro, o também aposentado José de Araújo Souza, de 72 anos, morador no Jardim Noêmia, conseguiu na Justiça Estadual o direito ao medicamento. José sofre de câncer no reto desde 2003. A reportagem tentou entrar em contato com seu advogado, Luiz Augusto Jacintho Andrade, para saber sobre seu atual estado de saúde,mas ninguém atendeu ao telefone em seu escritório.
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