País permanece sem perspectiva positiva


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Na sua campanha vitoriosa para a presidência da República, na década de 50 do século passado, o mineiro Juscelino Kubitschek prometeu que o Brasil iria crescer “cinquenta anos em cinco”. A promessa não foi integralmente cumprida, mas ele conseguiu fazer com que a economia desse um salto quantitativo, com o fortalecimento da indústria automobilística. A partir dali, o Brasil deixou de depender apenas do binômio café-gado, tornando nossa economia mais sólida e os setores produtivos em condições de competir no mercado exterior. Franca foi um exemplo disso, com a indústria calçadista que passou a competir de igual para igual com exportadores tradicionais, como Itália e Espanha. Não fosse a loucura de Jânio Quadros e a falta de pulso de João Goulart, que levaram ao golpe militar de 1964, o Brasil poderia ter crescido muito mais até os anos 1980.
 
Agora, com Dilma Rousseff (PT), analistas avaliam que fez-se o movimento inverso: o Brasil recuou cinquenta anos em cinco. Alguns índices apontam isto e o final do ano deixa bastante claro que a economia brasileira foi rapidamente para o buraco diante de uma política equivocada, temerária e recessiva. O estímulo ao consumo provocado pelas desonerações, que aparentemente livrou o País da crise global de 2008, foi um equívoco de um governo que não conhece alternativas para fortalecer o setor produtivo. Hoje, todos nós pagamos o preço do descontrole do governo, que gastou mais do que arrecadou e fecha 2015 — um ano perdido — com inflação recorde para a última década, produção em queda, mercado de trabalho negativo e que só conta com o aumento de impostos para resolver uma crise que precisa de outras medidas que o Planalto se recusa a tomar.
 
A crise institucional também vem atravancando o crescimento de nossa economia. Enquanto o Congresso Nacional e o governo federal não resolverem as pendências, dificilmente conseguiremos atravessar esta turbulência. A falta de propostas definitivas e reais, com cada um assumindo a responsabilidade e buscando um aperto de cinto que se cobra somente de trabalhadores e empresários, deixa o País em suspenso. Os números podem se deteriorar ainda mais, conforme apontam analistas, e poderemos chegar a um ponto sem volta, quando todos os benefícios que se conseguiram nas últimas duas décadas podem se perder. Hoje, o que se vê é uma instabilidade que afeta todos os setores, sem que haja um resquício de luz no fundo do túnel. Desde o começo do ano, o brasileiro vem fazendo a sua parte. Agora, chegou a hora da classe política mostrar-se solidária e também dar sua parcela de contribuição.
 
 
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