A CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) foi multada em R$ 610.986,67 pelo Procon, órgão de defesa dos consumidores, de Franca. A punição se deve aos vários apagões registrados na cidade nos últimos meses que atingiram milhares de casas e estabelecimentos comerciais.
O diretor do Procon/Franca, Willian Karan, disse que, desde o início do ano, o órgão vem acompanhando os problemas relacionados ao fornecimento de energia na cidade, mas que nos últimos meses as ocorrências de queda de energia cresceram. Um levantamento feito pelo órgão mostra que em pouco mais de um mês a cidade registrou quatro apagões. “Foram interrupções de fornecimento significativas nos dias 16 de outubro e 03,19 e 24 de novembro que geraram prejuízos e muitas reclamações”, disse.
O diretor disse que, antes de impor a multa à CPFL, notificou a empresa para que explicasse os motivos das interrupções. “Os esclarecimentos não foram suficientes para justificar os fatos ocorridos, por isso entendemos por bem multar a empresa”, afirmou Karan.
Além das interrupções, Karan disse que a CPFL ainda responde a mais de 20 processos administrativos abertos por consumidores prejudicados pelas constantes quedas de energia. Em sua maioria, pessoas que tiveram eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos queimados e não foram ressarcidas pela empresa. “Este levantamento se refere apenas a 2015”.
A multa lavrada pelo Procon de Franca ainda deve ser analisada pela sede do órgão em São Paulo. “A CPFL será informada a respeito do auto de infração que lavramos e terá um prazo para apresentar sua defesa que será analisada pelos técnicos em São Paulo”, explicou Karan.
Caso os argumentos da empresa não sejam aceitos, a CPFL será obrigada a pagar os R$ 610,9 mil. “Além disso, também estamos encaminhando cópias de todo o processo para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) que deve analisar o caso e, se achar necessário, pode impor novas sanções à empresa”.
Promotoria
Além do Procon, o promotor de Justiça Murilo Lemos Jorge, responsável pelos direitos do consumidor em Franca, também abriu uma investigação contra a CPFL para apurar as causas dos constantes apagões.
A ideia é descobrir se houve negligência por parte da empresa na manutenção de seus equipamentos. A investigação não tem data para terminar.
O Comércio enviou email para a Assessoria de Imprensa da CPFL para que a empresa comentasse o caso, mas até o fechamento desta edição não houve resposta.
Recentemente, em entrevista ao programa Hora da Verdade, da Rádio Difusora, o presidente da companhia, Carlos Zamboni, atribuiu os problemas às condições climáticas. “Enfrentamos uma situação diferente com tempestades e ventos mais fortes o que, com a rede ‘nua’, provoca mais interferências e interrupções”, disse, acrescentando que a cidade de Franca, somando-se todos os períodos de interrupção, fica, em média, seis horas sem luz por ano. O gerente regional da empresa, Francisco Martins, disse, quando em visita à Câmara Municipal da cidade, no começo de dezembro, que as ocorrências são pontuais e que “O indicador de qualidade e continuidade de Franca é o melhor do Brasil.”
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