Planejamento e vontade


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É coisa de humanos! Sempre adiamos o cumprimento de nossas promessas, que também adiamos. Segunda-feira eu faço isso. Se essa dor continuar, agendo uma consulta semana que vem. Vou abusar mais um pouquinho e, na segunda, começo o regime. Decidir fica para um momento de aperto. Será que já nos satisfaz a simples promessa da realização? 
 
São acomodações psicológicas do passar do tempo que comprometem semanas, meses, anos, para só serem vencidas por uma decisão efetiva quando se tornam caso de vida ou morte. Ao se aproximarem fins de ano, lançamos no nosso arquivo mental uma série de providências fadadas à negligência, mas o que nunca negligenciamos é o espírito consumista. Aquilo que nos atende aos anseios imediatistas realizamos, mesmo sem uma preocupada programação racional.
 
É preciso, com efeito, resistirmos à tendência de negligenciar importantes providências só porque não nos acudiriam interesses imediatos, mas valores que transcendem a satisfação dos estreitos sentidos da carne. 
 
Estudiosos dizem que a quantidade de informações que somos compelidos a processar nos pressiona a decisões pelo imediato, já que ainda não nos programamos, convenientemente, para sermos movidos pela transcendência dos valores do espírito. Quanto à qualidade — dizem —, a preocupação se impõe nem sempre pela utilidade proposta pelo objeto dos nossos desejos, mas pela impressão que ele pode causar aos competidores da ilusão material.
 
É certo, contudo, que, nos assuntos do chão planetário, evitar prejuízos, muitas vezes, requer revisitarmos velhos projetos. Façamo-lo, sem culpa! 
 
Fim de ano é sempre oportunidade para a incômoda tarefa do planejamento, mesmo desanimados por eventuais tentativas fracassadas como as de abandonar vícios, emagrecer, assumir uma religião, agora, porém, convencidos de que as facilidades estão na razão direta do poder da própria vontade.
 
 
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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