Judoca vai ao Rio por medelha ouro e reconhecimento


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Daniel Castro,
Do Folhapress

Assim como muitos atletas, a judoca kosovar Majlinda Kelmendi, 24, superou dificuldades para poder defender seu país em Olimpíadas. No caso dela, porém, os principais desafios não vieram dos tatames, mas da política.

Majlinda é a principal aposta de medalha de Kosovo, nação que foi reconhecida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) no ano passado e fará sua estreia em Jogos Olímpicos no Rio.

Bicampeã mundial em 2013 e 2014 na categoria até 52 kg (a mesma da brasileira Érika Miranda), a atleta também esteve na Olimpíada de Londres, em 2012, quando defendeu a Albânia e acabou eliminada na segunda luta. Um ano depois, na conquista do Mundial realizado no Rio, Majlinda já trajava um quimono com as iniciais "KOS", em vez de "ALB".

No bicampeonato, porém, questões diplomáticas arranharam a conquista. A competição foi disputada na Rússia, que, assim como o Brasil, não reconhece Kosovo como um país independente.

Majlinda foi obrigada a competir com a sigla IJF, da Federação Internacional de Judô, nas costas. Ao vencer o torneio, ela não pôde ver a bandeira de Kosovo no pódio, nem escutou o hino nacional. "Foi uma sensação tão ruim para mim. Espero não ter que passar por situações como essa novamente", disse à reportagem.
A atleta acredita que a estreia de Kosovo nos Jogos pode influenciar a posição do governo brasileiro. "Talvez depois da minha medalha de ouro na Olimpíada...", afirmou, confiante.

DIPLOMACIA
Em 2008, Kosovo proclamou independência da Sérvia de forma unilateral, sendo reconhecido pelos EUA e por parte dos países da União Europeia. Rússia, China, Brasil, e a ONU, por outro lado, não reconhecem a nação.

O técnico da judoca, Driton Kuka, 44, que chegou a participar da Guerra do Kosovo, iniciada no fim dos anos 1990, falou sobre o posicionamento brasileiro.
"Eu acho que nós merecemos ser reconhecidos pelo Brasil, temos uma cooperação muito boa com as pessoas do país", afirmou.

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