Saúde em crise no País da roubalheira


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A saúde pública não está agonizando apenas no Rio de Janeiro. Em todos os Estados da Federação, embora haja verdadeiras ilhas de excelência, o caos continua predominando. No final das contas, o prejuízo é da população que não pode arcar com os altos custos dos planos particulares. Diariamente, vemos notícias de uma rede sucateada e pacientes agonizando por horas sem leitos ou mesmo atendimento. Há dois dias, no próprio Rio de Janeiro, uma mulher deu à luz na calçada, diante de uma unidade de saúde, pois não foi atendida a tempo. O mesmo já ocorreu em outros locais do País, de Norte a Sul, Leste a Oeste. Pacientes morrem à espera de uma consulta, outros sofrem com a falta de equipamentos hospitalares ou até insumos básicos, como analgésico, esparadrapo ou algodão.
 
Enquanto o dinheiro de nossos impostos que abastecem os cofres públicos é visto por uma certa parcela de políticos e gestores como oportunidade para locupletarem, milhões sofrem, agonizam e choram por seus entes queridos por causa do caos que atinge a saúde pública brasileira, há quem lance mão das verbas, desviando recursos e até insumos para seu próprio benefício. No final das contas, a maioria deles ainda conta com certa impunidade, já que não se tem notícia de que haja, pelo menos até agora, punição exemplar para quem cause mortes ou sofrimento por causa dos desvios verificados no setor. Além dos desvios, os responsáveis precisam ser sentenciados pelo sofrimento que causam. Desde a quadrilha dos “sanguessugas”, há mais de uma década, ainda se buscam fórmulas capazes de enriquecer gestores e funcionários da área em detrimento da saúde de milhões de brasileiros que trabalham, pagam os seus impostos e esperam recebê-los de volta em serviços públicos com um mínimo de qualidade.
 
Neste momento, é preciso se pensar no quanto o brasileiro vem sendo negligenciado por aqueles que deveriam defendê-lo. Até aqui em Franca, as verbas da saúde pública vêm sendo desviadas sistematicamente, primeiro para movimentar uma verdadeira “indústria de horas extras” e depois para o pagamento de uma quadrilha de falsos médicos que se instalou em Franca. De permeio, houve pagamentos vultosos para horas extras num período humanamente impossível de ter sido cumprido. Nós não merecemos isso. Precisamos de administradores e legisladores responsáveis que realmente estejam imbuídos do verdadeiro espírito público, preocupados em trabalhar no sentido de beneficiar aqueles que pagam os seus salários (e até benefícios exagerados). O povo é patrão de todos os que foram eleitos para a administração pública e deveria ser encarado desta forma.
 
 
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