Um confronto entre tubarões


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Recheada de confrontos entre companheiros de partido, dissenções e trocas nunca claramente explicadas, a política brasileira é pródiga em dar munição aos que consideram a classe como uma das menos confiáveis, conforme já demonstraram diversas pesquisas realizadas nos últimos anos. Embora lhe dê o mandato, a maioria dos eleitores brasileiros não acredita naqueles que a representam. O nosso político, na maioria dos casos, é considerado corrupto, ladrão e mentiroso. Mesmo assim, alguns se perpetuam em cargos eletivos, por causa da falta de esclarecimento de muitos eleitores. Alguns dizem que não querem “perder voto” enquanto outros garantem que é melhor “manter o ladrão do que eleger um ladrão novo”. E ficamos assim: mal representados, principalmente no Poder Legislativo, acompanhamos, com visível desconforto, as investigações criminais que pode colocar diversos deputados e senadores na cadeia.
 
Nesta última semana, tornou-se acirrado o embate entre o vice-presidente Michel Temer (também presidente do PMDB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), em torno da possibilidade de um processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT). Calheiros, que era um dos principais nomes do PRN de Fernando Collor à época de seu impeachment, abandonou o barco quando viu a coisa pegando fogo para o lado do então “caçador de marajás”, disputa uma verdadeira queda de braço com Temer pelo comando do partido. Empenhado em preservar o mandato de Dilma, o senador vê o vice-presidente como o principal adversário. O que se vê, nos últimos dias, é um verdadeiro bate-boca pelas mídias sociais (aí incluídos jornais, TVs, rádios e internet).
 
Ambos, defendendo interesses contrários, mesmo dentro do mesmo partido, deixam clara a forma como agem a classe política brasileira. As legendas são usadas como mera exigência legal para se disputar um cargo eletivo. Não há convergência de ideias e de conteúdo programático e muito menos um sentido comum para atuação parlamentar. Cada um defende seu grupo, como os ruralistas, os evangélicos e os policiais, por exemplo. Por esta razão, a briga entre Renan e Temer não terá vencedor, mas apenas um derrotado: o povo brasileiro. Enquanto o próprio eleitor continuar encarando seu voto como uma obrigação, sem comparar as propostas e a vida pregressa de seu candidato, continuaremos acompanhando este tipo de ação no cotidiano político do Brasil. Na hora do voto, a ponderação é primordial para que sejamos nós, e não a Justiça, os juízes da atuação daqueles que se notabilizam por defender os próprios interesses, em detrimento da maioria. 
 
 
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