A cadeia da corrupção


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Quanto mais avança a Lava-Jato e suas subsidiárias, mais políticos aparecem envolvidos em desvios de dinheiro público, que tentam justificar como recursos para custeio de campanhas eleitorais. No entanto, investigações têm demonstrado que muitos desses recebedores de dinheiro sujo, o têm utilizado para ampliação do patrimônio pessoal. Alguns, já estão na cadeia por isso. A sensação que resta ao cidadão comum é a de que vivemos num país de ladrões e de leis obsoletas ou nunca respeitadas. Dinheiro público e de empresas estatais deveria ser tratado como coisa sagrada, pois sua falta resulta no sofrimento e até em mortes para o povo, legítimo dono daqueles recursos.
 
Jamais deveria se admitir que cartéis se formassem para assaltar cofres estatais, muito menos para dividir o produto do roubo com aqueles que têm o dever de administrar e guardar o cofre. 
 
O surgimento dos nomes de diferentes partidos, no entanto, tem nos levado à conclusão de que algo muito sério precisa ser feito em termos de custeio das campanhas eleitorais. Há que se saber e comprovar como são pagos os custosos jatinhos utilizados pelos candidatos, de que forma são contratados os serviços de propaganda e sustentação das candidaturas e todas as nuances do processo. 
 
Tudo isso tem de ser custeado de forma lícita, passando pelo crivo da Justiça Eleitoral. Os partidos políticos têm de ter vida própria e serem passiveis de falência como qualquer empreendimento. O império da impunidade que hoje toma conta do Brasil gerou a situação caótica em que nos encontramos — governo sujeito a cair, dirigentes e boa parte do parlamento comprometidos, partidos manchados e o Judiciário chamado a decidir aquilo que os políticos deveriam ser suficientes para executar. 
 
Precisamos mais do que a decisão sobre impeachment, cassações, afastamentos. O Brasil carece de partidos políticos que vivam por conta própria; que termine a promiscuidade da troca de cargos e benesses por votos; e que a função pública seja encarada como serviço à comunidade, não meio de vida e enriquecimento. A coisa pública tem de ser sagrada, imexível!
 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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