Há três anos a população de Franca está órfã. Negligenciada por uma administração municipal dissociada da realidade, alvo de uma série de ações na Justiça, vê que seus representantes legislativos, os vereadores, também não buscam contemplar quem os elegeu em suas decisões. O que nos parece é que a maioria dos integrantes de nossa Câmara Municipal tenta, de todas as formas, transformar a Casa de Leis num circo (que não merece a comparação), onde os palhaços somos nós. Na atual legislatura vimos poucas iniciativas dos vereadores que foram ao encontro dos interesses dos francanos.
Agora, o Legislativo enterra de vez qualquer resquício de bom senso ao aprovar a entrega do título de cidadão francano a um empresário que causou a morte de três pessoas de uma mesma família, em acidente de trânsito, sem prestar socorro às vítimas ou a outro membro que restou (só porque não estava no carro). Pela ação, responde a inquéritos nas áreas cível e criminal. Onze vereadores aprovaram a cessão do título de cidadão francano ao empresário Tirso de Salles Meirelles. O vereador Bahia (PTB) votou contra e Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PMB) se abstiveram. A aprovação do projeto é um verdadeiro escárnio, uma prova de desfaçatez da atual Câmara de Vereadores para com o eleitor francano. O pior é que o seu autor esconde-se sob a rubrica de ‘criação coletiva’. O que se estranha, neste caso, é que o delegado Daniel Radaelli (PMDB), apontado pela mesa da Câmara como autor da matéria, sendo representante da lei, tenha apoiado esta iniciativa. E, Valéria e Márcio do Flórida, muitas vezes elogiados por sua posição, tenham ficado em cima do muro, evitando se definir contra ou a favor.
O que se quer saber, agora, é de que forma estes 13 vereadores (à exceção de Jepy Pereira, do PSDB, que anunciou a sua retirada da vida pública) se dirigirão aos eleitores para pedir votos no próximo pleito. A homenagem, que teria sido solicitada pelo próprio Tirso Meirelles, é um verdadeiro tapa na cara de todos os francanos, que se mostraram indignados com a atitude do empresário depois do acidente. Aliás, ele disputava em 2010 as eleições para deputado federal e teve que retirar sua candidatura. Mesmo que ainda não tenha sido sentenciado em última instância, mais de 15 anos após o acidente, todas as provas apontam Tirso Meirelles como causador do desastre. Como não tentou socorrer as vítimas e nem procurou Karen Daniele Messias, que se safou por não estar no carro da família, evidencia uma desumanidade que não merece qualquer tipo de homenagem. Certamente, em outubro do ano que vem, os vereadores serão cobrados por isso. As urnas dirão o que Franca pensa.
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