Vereadores aprovam homenagem a empresário que matou uma família


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Vereadores durante a sessão de ontem, na Câmara Municipal: homenagem aprovada por eles a Tirso de Salles Meirelles causou indignação entre os francanos
Vereadores durante a sessão de ontem, na Câmara Municipal: homenagem aprovada por eles a Tirso de Salles Meirelles causou indignação entre os francanos
O empresário Tirso de Salles Meirelles vai receber o título de Cidadão Francano oferecido pela Câmara Municipal. Na sessão extraordinária desta terça-feira, o projeto para homenageá-lo foi aprovado por 11 votos a um. A aprovação gerou uma enxurrada de críticas dos eleitores nas redes sociais e no espaço de comentários do leitor do portal GCN (leia texto nessa página). 
 
Em 2010, Tirso era candidato a deputado federal. Estava em campanha participando de uma festa em Guaíra. Ao retornar para Franca, envolveu-se em um acidente que resultou na morte de três pessoas de uma mesma família. Segundo a Polícia e o Ministério Público, Tirso foi o responsável pela tragédia. Ele estaria acima da velocidade permitida e teria invadido a pista contrária, chocando-se de frente com o Uno dirigido pelo supervisor Jandemir Messias, que estava com uma das filhas e a mulher. Os três morreram.
 
Segundo a filha mais velha do casal, que não estava no carro, Karen Messias, Tirso nunca ofereceu ajuda. Ela precisou procurar a Justiça e pedir indenização. O processo corre em segredo de Justiça. Tirso ainda responde criminalmente pelas mortes, mas, cinco anos depois, o processo ainda não foi julgado. 
 
Na biografia de Tirso, apresentada pelos vereadores, não consta nenhum grande serviço por ele prestado a Franca, o que poderia justificar a homenagem. A única referência à cidade foi de que Tirso teria passado parte de sua infância e adolescência aqui. E só. 
 
O projeto de homenagem era o terceiro item da pauta, mas acabou sendo um dos últimos a serem votados. Ao contrário de outras homenagens, em que os vereadores aproveitam a tribuna para enaltecerem as qualidades do homenageado, desta vez, ninguém fez uso da palavra e o nome do vereador que apresentou a ideia da homenagem não foi confirmado. Questionado por Luiz Vergara (PSB), o presidente Marco Garcia (PPS) respondeu apenas: “É coletiva (a autoria)”. O vereador Adérmis Marini (PSDB), que secretariou a sessão, disse que a iniciativa partiu de Daniel Radaeli (PMDB). Informação confirmada por outros quatro vereadores. Mas Radaeli negou. “É mentira. Não fui eu, não. O Tirso ligou para vários vereadores para tratar do assunto. Nos reunimos e foi uma decisão coletiva”.
 
Na votação, Josivaldo Bahia (PTB) foi o único a votar contra. Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PMB) se abstiveram. Ele disse que “o título não pode ser banalizado” e que é necessário ter informações suficientes sobre o homenageado. “No caso do Tirso, só tenho informações negativas. Para não cometer injustiça, preferi me abster”, disse Márcio.  Valéria Marson não retornou aos contatos para responder a respeito do assunto.  Marco Garcia, como presidente, tem o direito de não votar e também se absteve.
 
Os outros 11 foram favoráveis. A cerimônia de entrega do título ainda não foi marcada. 
 
Demais
Na sessão, os vereadores também aprovaram, em segundo turno, o projeto que concede aumento de 61% aos médicos que prestam plantões nos prontos-socorros, na UPA e no Samu. Também aprovaram projeto que autoriza taxistas com deficiência a ter motoristas substitutos e que prevê um aumento no número de táxi da cidade. Um outro projeto bastante semelhante já havia sido aprovado, mas foi vetado pelo prefeito Alexandre Ferreira. 
 
Como não são previstas novas sessões extraordinárias, os vereadores só devem voltar a se reunir em fevereiro.
 

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