À primeira vista é improvável que alguém olhe para uma mansão, localizada nas proximidades do condomínio Morada do Verde, e imagine que ali abriga uma vasta plantação de maconha. Mais improvável ainda é pensar que o herdeiro da casa, de família tradicional, seja suspeito de atuar como traficante em Franca e o responsável pelo cultivo de 180 pés da erva. Por mais inusitado que pareça, esse caso é verídico e o acusado, Rafael Fernandes Martiniano Guillen, de 35 anos, foi preso na noite da última segunda-feira pela Polícia Civil.
O promotor de eventos foi pego na mansão em que morava sozinho, após denúncias e um trabalho de investigação dos agentes da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). A primeira denúncia foi feita há algumas semanas. Os policiais estiveram na casa, mas nada foi encontrado além de terra remexida. O denunciante ligou novamente essa semana e informou que Rafael continua recebendo pessoas em sua casa, em atitude suspeita, mesmo após já ter sido visitado pelos policiais da especializada. Na segunda-feira, os policiais voltaram. Olhando através do muro, eles encontraram a plantação de maconha no quintal. Reforços foram solicitados para o delegado Djalma Batista, que, em pouco tempo, cercou a mansão para evitar que Rafael fugisse ou arrancasse os pés de maconha. Um dos investigadores tocou a campainha e foi atendido pelo promotor de eventos, que disse que cultivava a droga para “fins científicos”.
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Para os policiais que fizeram a apreensão e em entrevista concedida à rádio Difusora, Rafael utilizou o argumento de que tem uma fundação que leva pessoas doentes aos Estados Unidos para fazer tratamento utilizando a maconha. Mas, segundo a polícia, a instituição nomeada “Pró CBD-Cannabis BR-USA” não existe. Trata-se apenas um nome usado quando Rafael vendia camisetas e brindes com as estampas da folha da maconha.
O suspeito também afirmou que, com a droga, seria possível arrecadar muito dinheiro para o Brasil. “A maconha é uma erva que poderia resolver a situação econômica do Brasil e até mesmo o desastre ocorrido em Mariana (MG), já que recuperaria o solo em até seis meses após o rompimento da barragem”, disse Rafael, que viu os policiais retirarem os vários pés e mudas de vasos e das pequenas “hortas” espalhadas pelo quintal de sua casa.
Além de alegar que vários países do mundo já legalizaram o uso da maconha, que a erva possui benefícios capazes de curar as mais variadas doenças, Rafael disse ser usuário e por isso cultivava quase 180 pés na própria mansão. Sua versão não convenceu a polícia, que levou o promotor de eventos, objetos que faziam alusão à maconha e os pés da erva - também encontrados na casa - até a Dise. “Acreditamos que ele, além de usar, estava difundindo a ideia e as ervas no meio da juventude francana. A quantidade encontrada e o trabalho de investigação apontaram que a finalidade do cultivo era para realmente vender e até mesmo doar algumas mudas”, disse Batista.
Após prestar depoimento, Rafael Martiniano foi autuado em flagrante por tráfico de drogas. Ele recebeu voz de prisão e foi recolhido ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca, onde permanece à disposição da Justiça.
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