Viralizou no mundo digital, o caso de traição no qual o marido, junto a amigo, filma a esposa com o melhor amigo saindo do motel. O marido danificou o carro do amante, deu uns tapas nela e ameaçou-os de morte. Piadas surgiram por todos os lados: compromisso com a manicure passou a ser sinal de alerta para maridos. Criaram até ‘atestado’ para comprovar que a esposa esteve em salão. Cansou o fato de ver Fabíola, a esposa, ser tratada pejorativamente.
Penso ser seu marido o pior personagem da história. Explico. Advogo há mais de vinte na área de família. Atualmente, não se discute culpa no divórcio, exceto em casos excepcionais. O Judiciário não permite ‘lavar roupa suja’, até porque, na prática, casamento acaba por conduta de ambos. Para divórcio, filmagem pouco importa.
No ‘caso Fabíola’, provavelmente foi o marido o culpado. Atuou com vingança e tentou, em vão, lavar sua ‘honra’ denegrindo a ‘honra’ da sua esposa. Marido mesmo, não chama amigo para flagrar a esposa saindo do motel com outro, e ainda permite divulgação do vídeo feito. Amigo, de verdade, não permitiria que o vídeo fosse postado na internet, até mesmo para preservar o amigo traído. Permite, empiricamente, imaginar o que a Fabíola tenha passado nas mãos de seu marido durante o tempo de casamento.
Traição decorre de vários fatores, mas prepondera quando falta atenção, respeito, cumplicidade, abandono e afeto. Mulheres reclamam de maridos manipuladores, controladores, possessivos. Também, se intervirem em seu crescimento pessoal/profissional. Muitas se tornam prisioneiras deles.
Fosse Fabíola a flagrar/filmar o marido com amante, diriam que ele é garanhão, macho, ‘fodão’, que homem trai mesmo, e é um direito que lhe assiste. Impera o discurso machista que fere a ‘igualdade’ garantida pela Constituição Federal. Fosse a sociedade ética, o vídeo não seria postado. Fabíola é vítima de marido e sociedade hipócritas, que vivem e reproduzem discurso de desigualdade.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Unifran/Cruzeiro do Sul
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