O eleitor brasileiro, hoje, já não se deixa enganar com facilidade. Que o digam Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, que em poucos anos deixaram de ser uma unanimidade para amargarem índices de reprovação altíssimos. Embora a atual presidente tenha conseguido reagir na pesquisa da Datafolha em um mês (a rejeição ainda ultrapassa os 70%, com a soma dos índices de governo ruim ou péssimo), o seu antecessor vê o nome aparecer com apenas 20% de intenções de voto para a presidência da República na mesma amostragem, algo impensável dois anos atrás. Nem a publicidade do governo federal e do Partido dos Trabalhadores foi capaz de reverter a situação dos dois maiores nomes da legenda. A crise econômica e as revelações da investigação da operação Lava Jato são as principais responsáveis por isso.
Em Franca, tem acontecido o mesmo com o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), cuja administração se notabiliza por escândalos, desvios e ações judiciais. A eleição de prioridades pelo chefe do Executivo francano, desde o primeiro dia de seu mandato, tem sido equivocada e aprofunda os problemas, principalmente na área de saúde, onde até uma quadrilha de falsos médicos recebeu recursos públicos vultosos para atender a população francana nos Prontos-socorros da cidade (“Álvaro Azzuz” e Infantil). Em vez de ampliar o investimento no setor, Alexandre Ferreira acreditou que conseguiria reverter a rejeição crescente gastando com publicidade. De olho na reeleição, o prefeito acreditou na velha máxima “uma mentira repetida mil vezes acaba se transformando em verdade” e caiu do cavalo.
Conforme reportagem publicada pelo Comércio em sua edição do último domingo, desde que assumiu a Prefeitura de Franca, em 2013, a administração Alexandre Ferreira vem piorando ano a ano na avaliação da população. Naquele primeiro ano, a nota atribuída ao comando de Ferreira foi 6,1. Em 2014, caiu para 5,8 e, agora, mais uma queda para 5,6. Os dados fazem parte da pesquisa de avaliação de governo feita pelo Instituto Datalink a pedido do GCN. É uma prova de que nem os imensos cartazes espalhados pela cidade, a propaganda na TV e os autoelogios do prefeito e de seus defensores em redes sociais são capazes de modificar a percepção do francano de que a condução dos destinos da cidade está muito aquém do esperado. Alexandre entra em 2016 no seu quarto ano de mandato e, pelo que se viu nos últimos meses, não há perspectivas de mudança. Ele corre célere rumo ao fundo do poço, com o perigo de levar todo o município junto. Ainda bem que falta pouco. Quando o Alexandre Ferreira encerrar o seu mandato e deixar a Prefeitura, com certeza a cidade vai respirar bastante aliviada.
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