Faltando poucos dias para o Natal, um concerto da Orquestra Sinfônica de Franca reforçou o clima para a festividade em grande estilo. Na noite dessa segunda-feira, sob a regência do maestro, Nazir Bittar, foi realizado o tradicional Concerto de Natal na Catedral Nossa Senhora da Conceição. A igreja, que possui capacidade para 825 pessoas, ficou lotada. O concerto acontece na Catedral desde 2008.
Além dos clássicos natalinos como Noite Feliz, Glória e Adeste Fideles, o público se encantou com obras como Oh Happy Day, Suite Orchestral (Bach) e Ave Maria (Arcadelt). “Escolhi músicas sacras e outra que não são, mas trazem a mesma emoção. A música tem um potencial de salvar as pessoas, na hora que elas ouvem ou tocam e cantam”, disse o maestro.
Participaram 15 membros da OSF com instrumentos tradicionais como flautas, violinos e violoncelos. A apresentação também contou com o talento do octeto do Ensemble Vocal OSF.
Como diferencial, este ano, o concerto ganhou o tom do Nordeste, com o sanfoneiro Rossini Xavier, que interpretou a canção Natal Nordestino, do compositor Raunildo Santos. A força desse povo para lutar e superar as dificuldades foi o que motivou a escolha de incluir a temática nordestina no repertório do concerto. “Conheci essa peça há pouco tempo e escolhi porque traz o sentimento do nordestino, que sempre preza pela garra, perseverança, resiliência e sempre busca a felicidade, mesmo que tenha que se sacrificar”, afirmou o maestro Nazir Bittar. A música também ajudou a mostrar a temática do Natal de um jeito brasileiro.
Para o músico Rossini Xavier, 29, a sanfona tem ganhado espaço e usos inusitados.“Para mim essa participação é algo novo e é uma oportunidade para eu levar meu som e meu instrumento para esferas diferentes das tradicionais, como o forró e a música sertaneja”, disse.
A homenagem para o nordeste também foi trabalhada por meio de imagens no material de divulgação da orquestra, que trouxe um presépio do artesão Mestre Vitalino. O artista retratava a cultura da região, por meio de esculturas de barro.
Com olhos atentos, as pessoas não se importaram em sentar nos degraus, ficar em pé perto das colunas e até para fora do saguão da igreja para assistir ao concerto. “O espetáculo atraiu pessoas de todas as idades e emocionou cada um dos presentes pela beleza e riqueza das músicas”, disse a advogada Marina Rodrigues, 27, que foi pela primeira vez ao evento.
Para outros, a apresentação possibilitou um momento de alegria e valorização dos artistas francanos. “Acho que Franca está precisando disso, de trazer o pessoal para ver a cultura da cidade e os valores que, às vezes, ficam escondidos. As pessoas estão tão sofridas, então ver uma apresentação dessas de graça é um presente”, afirmou a professora Vera Colmanetti, 64.
A Orquestra Sinfônica de Franca é mantida pela Ascram (Associação Cultural da Região da Alta Mogiana), que neste ano passou a contar com o apoio administrativo da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). A gestão também contempla a Orquestra Jovem de Franca e o Ensemble Vocal OSF.
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