Paixões acabam em morte e assustam. Especialistas tentam explicar tragédias


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Marcela Maria de Oliveira, 39 anos; Maria Cristina de Morais Brito, 50 anos; Rosane Berteli de Souza, 24 anos, e Noêmia Bordignon Jacintho, 36 anos. Quatro mulheres com histórias de vida diferentes com um mesmo fim. Todas morreram pelas mãos daqueles que amaram, em assassinatos envoltos por paixões obsessivas. Os crimes passionais dispararam neste ano. Chocam a população e preocupam a polícia.
 
Para o delegado Allan Bazalha, interino no comando da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), o maior problema é que este tipo específico de homicídio é muito difícil de se combater. “São agressões que acontecem entre casais durante discussões e de maneira inesperada. A polícia não tem como agir sem que haja uma denúncia prévia seja de ameaça ou mesmo outras agressões”. Bazalha diz que é justamente essa denúncia prévia que não costuma ser registrada. “Nestes casos, a vítima tem uma relação de amor com o agressor e resiste em procurar a polícia e responsabilizá-lo para que pudéssemos agir”.
 
O psiquiatra forense com mais de 40 anos de experiência como perito judicial e consultor, Guido Palomba, explica que, na maioria dos casos de homicídios passionais, há sempre um histórico de agressões anteriores. “Nunca é a primeira vez que o casal briga. Nunca é uma briga isolada do contexto. Os crimes passionais acontecem normalmente depois de um histórico de pequenas ocorrências até que, um dia, um dos dois envolvidos acaba passando dos limites e tirando a vida da mulher ou do companheiro”.
 
Como o delegado, Palomba também considera difícil prevenir este tipo de assassinato. “Ele ocorre em um segundo em que as emoções ficam tão fortes que o indivíduo perde a consciência e deixa de pensar racionalmente. Na psiquiatria, chamamos esta condição de estreitamento mental, como se a pessoa estivesse usando um cabresto que não permitisse a ela perceber mais nada”.
 
O estreitamento é desencadeado quando algo que a vítima faz ou fala atinge profundamente os sentimentos do agressor. “É como se uma recusa, por exemplo, deixasse a pessoa literalmente cega. Como a paixão é obsessiva, o agressor não consegue aceitar que a pessoa objeto desta paixão não queira estar com ele. No fundo, há o egoísmo e a insegurança”.
 
Predisposição
O psiquiatra afirma ainda que existem pessoas mais predispostas a cometer crimes passionais. “São indivíduos com históricos de desequilíbrio ou distúrbios mentais. Pessoas que têm dificuldade em lidar com as próprias emoções”.
 
Vícios
Outro fator importante no contexto dos assassinatos passionais é o envolvimento com drogas e bebidas alcoólicas. “O álcool está sempre de pano de fundo. Na maioria dos casos, o autor resolve procurar a vítima depois de beber muito ou tomar alguma droga ou medicação. Essas substâncias potencializam a agressividade e a impulsividade, ingredientes fundamentais para que o crime ocorra”, disse Allan Bazalha.
 
Para Guido Palomba, é importante nas relações amorosas que mulheres e homens fiquem atentos aos sinais de alerta. “Normalmente as pessoas capazes de cometer um assassinato nestas circunstâncias são mais agressivas, impulsivas. Tem ciúmes patológicos, inseguranças e até paranóias. Costumam colecionar relacionamentos fracassados por conta da personalidade que apresentam”.
 
Aumento
Em Franca, para se ter ideia da disparada dos casos de homicídios passionais, em 2014, durante todo o ano, foram registrados 19 assassinatos. Nenhum deles passional. Neste ano, foram 24 casos de homicídio, sendo quatro envolvendo a morte de mulheres por seus companheiros ou ex-companheiros (veja quadro).
 
 
QUATRO MULHERES, QUATRO PAIXÕES QUATRO MORTES
 
Dos 24 assassinatos registrados em Franca até este mês, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) da cidade considera que quatro foram passionais. Veja abaixo as histórias.
 
 
Maria Cristina de Morais Brito, 50
 • 2 de fevereiro de 2015
Diversos boletins de ocorrência registrados na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) ao longo dos anos foram os indícios de que, um dia, uma tragédia aconteceria. No dia 2 de fevereiro deste ano, a dona de casa Maria Cristina de Morais Brito, moradora do Jardim Portinari, foi assassinada com dois tiros pelo ex-marido, Fábio José Natal. Após o crime, o homem fugiu para a Vila Nicácio e atentou contra a própria vida com a mesma arma.
 
 
Marcela Maria de Oliveira, 39
• 26 de janeiro de 2015
Sentindo-se traída ao ver a ex-namorada com outra, a vigilante Elaine Cristina da Silva, 39, decidiu assassiná-la. A soldado Marcela Maria de Oliveira, 31, foi morta com dois tiros no peito em uma rua do Jardim Paineiras. De acordo com o relato da própria assassina, o fato da vítima ter iniciado uma nova relação após terem rompido em dezembro, foi o motivo do crime. Ela alegou ter perdido a cabeça. Elaine chegou a ser presa, mas conseguiu a liberdade na Justiça.
 
 
Rosane Berteli de Souza, 24
• 8 de setembro de 2015 
Um tiro na cabeça. Foi desta forma que o comerciante Breno Helton da Costa Rezende, 32, assassinou a ex-namorada, Rosane Berteli de Souza, 24. Ela foi morta no estacionamento onde guardava seu carro, no Centro. Rezende não aceitava o fim do namoro de quase um ano. Após atirar em Rosane, o acusado tentou se matar com um tiro na boca. Como não conseguiu, segue internado no Hospital Regional sob escolta policial.
 
 
Noêmia Martha Bordignon, 36
• 13 de dezembro de 2015
Noêmia foi morta pelo marido Daniel Ribeiro Jacintho (foto), de 44 anos. Na madrugada do domingo, ele foi a uma boate na rodovia João Traficante. Irritada, ela foi atrás. Lá, quando soube da chegada da mulher, Daniel se escondeu. Vendo o carro dele no estacionamento, Noêmia decidiu esperá-lo. Segundo testemunhas, 40 minutos depois Daniel decidiu conversar com a mulher. Ela teria então atirado contra ele e acertado o carro. Ele conseguiu tirar a arma dela e atirou duas vezes na cabeça dela e se matou em seguida

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