Morreu ‘seu’ Geraldo, da ‘lojinha de consertos de calçados’ da ‘Major Claudiano’


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Geraldo Louzada foi sepultado ontem, 16 horas, no Cemitério da Saudade
Geraldo Louzada foi sepultado ontem, 16 horas, no Cemitério da Saudade
Morreu ontem, 07h30, no CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Misericórdia de Franca, ‘seu’ Geraldo Louzada, ele que, por muitos anos, manteve lojinha de produção de calçados femininos e consertos ao lado da Escola ‘Cel. Francisco Martins’, rua Major Claudiano, Centro da cidade.
 
Havia completado 97 anos 25 de outubro último. Em novembro, dia 22, acometido por um AVC, foi internado na Santa Casa. Uma pneumonia agravou o quadro, mas seu organismo, próprio dos homens fortes criados na roça e acostumado a muito trabalho, lhe permitiu grande melhora. Ganhou alta e foi transferido para clínica de reabilitação de AVC, estabelecida em Pedregulho (SP). Anteontem, dia 17, enfrentou recidiva da pneumonia e voltou à Santa Casa de Franca, já em coma. Seguiu-se o óbito.
 
Deixou viúva Emília Negrelli Louzada, depois de 73 anos de casamento. Do enlace, quatro filhos (Carlos Antônio, Sônia Maria, casada com José Cândido Chimionatto, presidente da Santa Casa de Franca; Maria Aparecida e Geraldo Henrique, casado com Dulce Xavier, diretora administrativa do GCN Comunicação); nove netos (Cláudia, Fernando, casado com Silvana; Gustavo, casado com Fabíola; Rogério, Roberto, casado com Paula; Adriano, casado com Daniela; Douglas, Matheus e Ana Flávia), e sete bisnetos (Fernanda, Larissa, Mariana, Yasmin, Laura, Carlos Eduardo e Caio).
 
Nascido em propriedade rural da região do Engenho Queimado, em Franca, Geraldo conseguiu se empregar ainda muito jovem como sapateiro, com base em talento para a criação e produção de calçados populares femininos simples. Trabalhou como empregado por alguns anos mas logo percebeu que poderia ter o próprio negócio, produzindo os calçados que imaginava e fazendo consertos. Fez rápida freguesia. O ponto que escolheu para trabalhar — portinha ao lado do Bar Gavião e da Casa Bandeirante, na rua Major Claudiano — lhe garantiu atividade permanente e reconhecida. 
 
Segundo as lembranças do filho Geraldo Henrique, ‘todos os dias, fim do expediente, papai chegava em casa com saquinhos de compras para alimentar a família. Nunca nos deixou faltar nada’. Encontrava tempo para também acompanhar a mulher, Emília, em viagens a São Paulo, via caminhão do amigo Broa, da região do bairro do Cubatão, ou de ‘trem de ferro’, onde ela comprava roupas de cama, mesa e banho para enxovais de jovens que prepararam casamento.
 
‘Seu’ Geraldo foi um ‘homem tranquilo, dedicado à amizade, excelente pai, marido presente e companheiro’, segundo a família. ‘Seus exemplos de trabalho e o respeito que dedicou à família são a herança mais valiosa que nos deixou’, disse Geraldo Henrique.
 
O velório aconteceu ontem, no São Vicente de Paulo. O sepultamento foi realizado em túmulo da família no Cemitério da Saudade, 16 horas. Na ocasião, padre Marco Antônio, que, quando muito jovem, conviveu com ‘seu’ Geraldo e ‘dona’ Emília, ressaltou as qualidades do homem que ‘fez do trabalho duro e do respeito à família e aos amigos, suas grandes marcas de vida’.

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