Grupo monta Instituto João de Barro para reformar casas


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A arquiteta Camila Jordão, voluntária do Instituto João de Barro, na casa da família do Jd. Santa Bárbara que está sendo reconstruída e deve estar pronta em fevereiro
A arquiteta Camila Jordão, voluntária do Instituto João de Barro, na casa da família do Jd. Santa Bárbara que está sendo reconstruída e deve estar pronta em fevereiro
Transformar casas insalubres em um lar mais digno para famílias crentes em Franca. Esta é a proposta do Instituto João de Barro, nascido em setembro deste ano e que já conta com 76 voluntários para a missão. Executando seu primeiro projeto, o instituto trabalha para substituir um cômodo desregular, no contrapiso, sem reboco, laje, áreas de iluminação e ventilação por uma residência de três quartos, sala, cozinha e banheiro totalmente planejada e adaptada a uma família de, agora, cinco pessoas.
 
“A família escolhida vivia neste local: um ambiente úmido, escuro, sem laje e com cheiro de mofo. As paredes tinham muitas infiltrações. Havia dois cômodos e um banheiro, onde vivia uma família de seis pessoas”, disse a arquiteta e voluntária Camila Jordão. “No novo projeto, teremos três quartos, sala, cozinha e banheiro. Totalmente planejada e com área de claridade.”
 
Segundo o engenheiro civil Carlos José Martins Tavares, fundador do João de Barro, a proposta de transformação do instituto não se limita à questão física. Além da reforma, as famílias serão amparadas socialmente. “Temos um grupo de triagem que também acolhe essas famílias dando apoio psicológico e ensinando noções básicas de organização - larvar uma louça, manter as coisas em seus lugares, guardar as roupas - e de asseio”, disse. 
 
Como funciona
O instituto está organizado por setores. No de triagem, como citado por Carlos, atuam psicólogas e, espera-se apoio de assistentes sociais que vão em busca dos lares mais vulneráveis e ficam em contato com as famílias antes, durante e após as obras. No setor técnico, engenheiros civis, arquitetos, designers de interiores e outros profissionais relacionados à área de construção civil trabalham no planejamento e execução das residências. Já o setor de eventos tem o propósito de buscar recursos e de se dedicar ao marketing do instituto. Há ainda o setor jurídico que se responsabiliza por manter em dia a documentação dos imóveis e o administrativo, que cuida de toda a gestão.
 
“Além da ajuda dos voluntários, contamos com as empresas parceiras que nos ajudam cedendo materiais. Pedimos de tijolos a utensílios de ponta de estoque ou com pequenos defeitos. Os clientes de nossos voluntários também ajudam doando materiais que sobram de suas obras. A única despesa que temos é com a mão de obra”, disse Carlos. “Quando precisamos de dinheiro, nos organizamos rapidamente pelo WhatsApp (aplicativo de mensagens instantâneas) para levantá-lo.” 
 
A venda dos livros Design + Interiores, publicado por Marcelo Diniz, Mateus Finzetto e Deise Pucci, por exemplo, será totalmente revertida ao Instituto João de Barro. Os beneficiados também ajudam de forma simbólica. Segundo Carlos, um pequeno valor de contribuição é definido em conjunto pela própria família para ajudar na empreitada.
 
Planos
Embora já esteja atuando, o grupo ainda caminha para seu surgimento oficial. O estatuto já foi aprovado pelos membros e, nos próximos dias, uma reunião entre eles selará sua fundação e registro. “As coisas estão andando rápido. Na primeira reunião, em setembro, tínhamos 20 membros e, agora, somos 76 e em breve precisaremos de ajuda da comunidade”, disse o fundador. 
 
O instituto recebeu a doação do terreno onde ficava a antiga Jussara, na Estação, e planeja construir no local uma estrutura para abrigar materiais como sobras de construção e outras doações. “Há muita coisa boa que sai de reformas que dá para ser aproveitada”.
 
Carlos disse que a inspiração para desenvolver tal projeto é antiga, tida ainda na infância. “Esse modelo de trabalho já existe em Barretos e é feito pela Cias (Centro de Investigações e Ações Sociais), da qual meu pai participa desde a fundação, em 1965. Vendo esse trabalho desde criança e tendo em mim essa necessidade de ajudar o próximo, vinha alimentando o desejo de repetir minha experiência de Barretos, minha cidade natal, em Franca, onde vivo há 23 anos”.
 

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