Vivemos as comemorações de mais um aniversário de nascimento de Jesus. Embora pesquisas comprovem que a data está mais para a tradição do que para a realidade, bons sentimentos atestam que o clima festivo toma conta de considerável parcela da humanidade. Uma alegria contagiante a envolve e um único pensamento vige, qual o do débito de gratidão, conquanto escassa a ideia de como homenagear o Meigo Rabi, aquele que veio para nos libertar, ensinando: ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’.
Contudo, muitas vezes, o que deveria ser franca homenagem se transmuta em abusos e excessos que levam muitos irmãos nossos a perderem o fim da festa, conduzidos a hospitais ou a destinos extremos.
Não é o que espera de nós o Mestre que, para considerar-se homenageado, requer, apenas, que nos doemos aos deserdados. ‘Quando atenderdes aos que estão nus e famintos, é a mim que atendeis.’
Ante o exuberante lado materialista dos festejos natalinos, impõe-se uma pergunta: Onde está a simplicidade útil de que quem nasceu numa manjedoura? Nestas horas, em que devemos estar próximos dos que nos correspondem no amor consanguíneo, é preciso que dediquemos espaços que se alarguem por todo o ano, a atender irmãos nossos que, muito mais do que aqueles que se sustentam, dependem de mãos amigas.
Escolhemos com cuidado o local da festa, que deve ser digno de acomodar os convidados, raramente, porém, escolhemos o próprio coração para, livres do orgulho e do preconceito, abrigar os pobres e estropiados a que se referiu o Divino Aniversariante. É preciso que façamos dos nossos corações manjedoura simples e pura, para que, em nós, renasça o Divino Amigo com a Sua imorredoura proposta redentora. Que o Natal de Jesus nos restabeleça o compromisso de relações fraternas movidas pelo sentimento do amor e inarredável lembrança de Sua sublimada advertência: ‘Bem-aventurados os que têm puro o coração’, porque ‘O Reino de Deus está em vós.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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