Sem Levy, governo recua vários passos


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Como já era esperado, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) deixou ontem o governo. Pressionado e vendo que dificilmente conseguiria colocar em prática todos os seus planos de combate à crise, como um profundo corte de gastos, reduzindo o peso da administração pública sobre o orçamento federal, Levy dá lugar a Nélson Barbosa, que vinha ocupando o Ministério do Planejamento. Assim, Dilma Rousseff (PT) cede à verdadeira chantagem do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e usa a troca para pacificar o próprio partido e aliados, que saíram às ruas há dois dias pedindo, entre outras coisas, a mudança na política econômica que vinha sendo levada por Levy, conhecido por “Mãos de Tesoura” em suas outras passagens pelo governo. Porém, a decisão pode colocar a perder as tentativas de enfrentar a crise. Para muitos, é um verdadeiro retrocesso à política econômica que jogou o Brasil no buraco.
 
Levy chegou à Fazenda com o compromisso de tentar ajustar as contas públicas. Os cortes de gastos sempre foram uma das suas marcas em passagens anteriores pelo governo. Joaquim Levy foi secretário adjunto de Política Econômica e economista-chefe do Planejamento no mandato de Fernando Henrique Cardoso e, já na gestão Lula, chefe do Tesouro. Barbosa, por sua vez, é da ala do governo mais afeita ao aumento de gastos como instrumento de estímulo à economia. Com o aumento de gastos, o Brasil fechará 2015 com déficit (já autorizado pelo Congresso) de R$ 119,9 bilhões. Com Barbosa, o perigo maior é de que este rombo se amplie, uma vez que Levy defendia um profundo corte nos gastos com a redução dos cargos comissionados e das despesas da administração direta. As medidas anunciadas há meses, como o corte de pelo menos três mil cargos ficaram apenas na promessa. Secretarias com status de ministério foram extintas, mas nenhum servidor perdeu o emprego e muitos continuam recebendo salários sem ter qualquer função na nova estrutura ministerial.
 
Com Nélson Barbosa, o governo Dilma corre o risco de causar um buraco nas contas públicas incontrolável. Só depender do imposto do cheque, ainda não aprovado pelo Congresso mas consolidado na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentária) aprovada, pode se tornar contraproducente: a economia conseguida será de apenas R$ 10 bilhões, mais de dez vezes menos do que o rombo existente. Por isso, o brasileiro poderá esperar que o governo lhe cobre maiores sacrifícios para atingir a meta fiscal, que já foi reduzida para 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) e deve ser zerada. Esta mudança pode atirar o Brasil num túnel ainda maior sem que se saiba o que iremos encontrar do outro lado. Que Deus nos ajude.
 
 
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