O paulistano Leandro Andreo, 29 anos, é um poeta “das antigas” e preza pela rima e pela métrica em cada verso. Isso fica bem claro no livro Muito Veneno e um Pouco de Lirismo, lançamento da editora Kazuá, no qual o autor, além de versificar com musicalidade em cada linha, também critica com acidez e, claro, muito lirismo, a poesia moderna.
“Mas o poeta de hoje em dia,
Com este seu verso indigesto,
Cuja transgressão pretendia
Está denegrindo a poesia
Que abrigo neste manifesto. ”
O livro traz de volta aquela estrutura musical dos poemas que todos conhecem e aprenderam a admirar desde os tempos de escola. Andreo, em alguns versos, resgata ainda a memória de personalidades como Camões, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia, nomes que, também com rima e métrica, deram destaque à poesia brasileira.
Ao comparar a forma antiga de fazer poesia com a atual, o autor questiona o que o modernismo trouxe ao desobrigar o uso da rima, métrica e ritmo, permitindo total liberdade aos poetas. “Claro que os criadores deste movimento tinham pleno domínio de todas as técnicas de poesia que se fazia anteriormente e sabiam exatamente o que estavam fazendo ao transgredi-las. Ocorre que este conhecimento perdeu-se no meio do caminho”, acredita Andreo.
O escritor faz críticas aos poemas contemporâneos ao escrever poesias recheadas de lirismo e musicalidade, típicos da poética clássica. Além disso, Muito Veneno e Um Pouco de Lirismo é um prato cheio para os amantes de poesia porque Andreo investe na diversidade e mescla os poemas críticos com os de cunho sentimental, resultando em um trabalho repleto de emoções e rimas.
“Maquiagem caprichada
E com roupa de palhaço,
Sua face esbranquiçada
Cobre o medo do fracasso.
Ele sonhava que o circo
Era o lugar verdadeiro,
Mas fez do mundo um abrigo
E da rua, picadeiro.”
O autor ignora as críticas sobre sua forma de poetar, pois, para ele, o principal objetivo da poesia é fazer com que o leitor se encante, suspire e se emocione. “A poesia, desde seus primórdios, sempre foi uma manifestação popular. E não me venham falar que existe a poesia popular como um gênero separado. Poesia é poesia!”, conclui.
Sobre o autor: Leandro Andreo nasceu em 1985. É um dos escritores convidados do portal A Voz da Poesia, além de ter participado de diversas antologias. Ivvi, publicado em 2014, foi o primeiro livro do autor.
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