A presidente Dilma Rousseff (PT), no final da tarde de ontem, deve ter respirado aliviada. Conseguiu expressiva vitória no STF (Supremo Tribunal Federal), que levou o processo de impeachment contra ela à estaca zero. Após dois dias de julgamento sobre as regras de tramitação do processo, o Supremo decidiu de forma contrária à eleição da chapa apoiada pela oposição para a comissão especial da Câmara que vai analisar a denúncia de impeachment contra a presidente. A Corte também determinou que o voto deve ser aberto, não secreto, na comissão. A maioria dos ministros também votou favoravelmente a que o Senado tenha o poder de arquivar uma eventual abertura do processo de impeachment pela Câmara.
Mesmo diante desta situação, o governo não pode respirar aliviado. A decisão do STF em relação ao voto aberto e indicação dos líderes dos partidos para eleger os membros da comissão que vai avaliar o processo, a ação da PF (Polícia Federal) na última terça-feira, mirando líderes do PMDB (considerada pelo partido como uma forma de pressão aos parlamentares), podem levar os peemedebistas no Congresso a se posicionarem a favor do impeachment. Diante da possibilidade de um repúdio de seus eleitores, até parlamentares da base aliada deverão refletir sobre a sua posição. Como a operação chegou bem próximo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RJ), e suas declarações, ontem, miraram a ‘subserviência’ do partido à presidente e ao PT, o resultado pode ser oposto ao esperado pelo Planalto.
Dilma respira aliviada por enquanto. Mas a manutenção de seu mandato vai depender de ampla e exaustiva negociação para formar uma base coesa, que lhe garanta a permanência no poder. Ela ainda tem pela frente o julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que analisa as suas contas de campanha. A presidente se mantém na berlinda, principalmente diante dos números da economia brasileira, que continuam em queda. A deterioração, em todos os setores, é real e inédita, o que pode aumentar ainda mais a insatisfação popular e tornar insustentável a continuação de seu governo, cada vez mais vulnerável. Agora ganha a cena a insatisfação do ministro Joaquim Levy (Fazenda), que já aventa a possibilidade de deixar o posto. Pelo que se percebe, pelo menos neste momento, é que uma decisão sobre o processo de impeachment poderá sair apenas no ano que vem, depois do recesso eleitoral. E até lá, muita água deve passar por baixo da ponte, principalmente no âmbito das operações da Polícia e da Justiça Federal que investigam a corrupção, criando um quadro totalmente imprevisível, tanto para os defensores do impeachment quanto para os aliados da presidente Dilma Rousseff.
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