Senado dá aval a investigação contra Temer


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Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Em mais um embate com Michel Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), colocou em votação e aprovou um requerimento que pede ao TCU (Tribunal de Contas da União) a investigação do vice. O objetivo é apurar a responsabilidade de Temer em relação às assinaturas dele em, ao menos, sete decretos que autorizaram a abertura de crédito orçamentário sem o aval do Congresso em 2015.

Os decretos somaram R$ 10,8 bilhões e são semelhantes aos assinados pela presidente Dilma Rousseff, e que embasam o pedido de impeachment contra ela.
Sem fazer alarde, Renan colocou o pedido em votação sem mencionar seu conteúdo. Após o resultado, Renan encerrou o ano legislativo.

De autoria do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o pedido de investigação foi aprovado por voto simbólico. Apesar de ser comum que os senadores aprovem este tipo de requerimento, Renan poderia não ter colocado o texto em votação.
Questionado sobre o motivo de não ter explicado o teor do documento, o peemedebista afirmou que não queria "personalizar" a votação. "Há uma prática de que todos são aprovados. [Não mencionei] porque, aí, as pessoas pensariam que estava personalizando o problema", disse.

O entrevero público entre Temer e Renan começou quando o presidente do Senado acusou o vice de atuar para barrar articulação alimentada pelo Planalto pelo retorno de Leonardo Picciani (RJ) à liderança da legenda. Temer respondeu dizendo que o partido não tem dono, "nem coronéis".

Em uma espécie de tréplica ao correligionário, Renan fez chegar a um grande número de senadores na noite desta quarta (16) que cogitou escrever uma nota de resposta com duas provocações.

Ele contou aos colegas que chamaria Temer de "mordomo de filme de terror", expressão cunhada em 1999 por Antonio Carlos Magalhães num embate com Temer. Renan, no entanto, acabou desistindo da provocação. A reação do alagoano às movimentações de Temer teve a chancela da bancada do PMDB no Senado.

Recesso
Ao encerrar os trabalhos legislativos do ano, Renan garantiu que haverá o recesso normal do Congresso, até o início de fevereiro do ano que vem. Dilma chegou a pedir ao peemedebista que reavaliasse a possibilidade de se convocar o Congresso para meados de janeiro, para acelerar a tramitação do impechament, mas Renan não deu garantias disso para a petista.

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