Dólar fecha abaixo de R$ 3,90 com ajuste por decisão do Fed sobre juros


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O mercado financeiro teve uma quinta-feira (17) de ajuste, após a tensão gerada na véspera pela decisão da agência de classificação de risco Fitch de retirar o selo de bom pagador do Brasil. A medida já era esperada pelos investidores, o que amenizou a reação negativa na sessão.

Colaborou para a queda do dólar nesta quinta-feira a avaliação positiva sobre o ritmo lento e gradual previsto para o ciclo de aumento de juros nos Estados Unidos, iniciado na véspera, conforme sinalizou a presidente do Federal Reserve (banco central americano), Janet Yellen.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve desvalorização de 0,80%, para R$ 3,894 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, caiu 0,71%, para R$ 3,893.

O Banco Central do Brasil deu continuidade nesta sessão aos seus leilões diários de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos que estão previstos para o mês que vem. A operação, que equivale a uma venda futura de dólares, movimentou US$ 548,7 milhões.

Entre as 24 principais moedas emergentes do mundo, o dólar teve alta sobre 16. O peso argentino foi o que mais perdeu força contra a divisa dos EUA (em torno de 26%), após o novo presidente da Argentina, Mauricio Macri, ter retirado na última sessão controles sobre o câmbio no país.

O Fed elevou a taxa de juros americana em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 0,25% e 0,50% ao ano. Foi a primeira alta desde junho de 2006. O mercado já esperava pela decisão, uma vez que a autoridade americana preparou os investidores desde o ano passado, através de seus discursos e comunicados, para o início do aperto monetário.

A preparação do Fed para o início do aumento de juros amenizou a expectativa de fuga de recursos hoje aplicados em países emergentes para os EUA, o que encareceria o dólar. Isso porque a mudança deixa os títulos do Tesouro americano, cuja remuneração reflete a taxa de juros daquele país, mais atraentes que aplicações em emergentes, considerados de maior risco.

QUADRO FISCAL
Internamente, o quadro fiscal brasileiro seguiu no radar do mercado. O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2016, que estipula meta de superavit primário de 0,5% do PIB. A medida corroborou incertezas sobre a permanência de Joaquim Levy no comando da Fazenda. O ministro havia afirmado na semana passada que se a meta fiscal de 0,7% do PIB para 2016 fosse novamente cortada, não faria sentido sua permanência à frente da pasta.

Assessores presidenciais disseram à reportagem que a presidente Dilma Rousseff já está convencida de que Levy está "chegando ao final de linha" e que ele não consegue incorporar um discurso de esperança sobre a recuperação econômica.
Também repercutiu na sessão a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki de deixar para fevereiro a análise do pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do cargo e do comando da Casa, feito pela Procuradoria-Geral da República.

Cunha é alvo de investigação no Supremo por suposta ligação com o esquema de corrupção da Petrobras e acusado de usar o cargo indevidamente.
Ainda no cenário político, o STF retomou nesta quinta o julgamento sobre o rito do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

No mercado de juros, os principais contratos devolveram a alta registrada na véspera com a deterioração do quadro fiscal no Brasil. O DI para março de 2016 caiu de 14,430% para 14,415%, enquanto o DI para janeiro de 2021 teve taxa de 16,130%, ante 16,290% na sessão anterior.

BOLSA EM ALTA
O principal índice da Bolsa brasileira destoou da queda registrada nos mercados acionários dos EUA e fechou no azul pelo terceiro dia. O Ibovespa subiu 0,55%, para 45.261 pontos. O volume financeiro foi de R$ 5,9 bilhões.
As ações preferenciais da Petrobras, mais negociadas e sem direito a voto, caíram 1,23%, para R$ 7,20 cada uma. As ordinárias, com direito a voto, perderam 1,45%, para R$ 8,82.

No setor bancário, segmento com a maior participação dentro do Ibovespa, subiram o Itaú Unibanco (+1,71%) e o Santander (+2,76%). Já o Bradesco caiu 1,96% e o Banco do Brasil teve desvalorização de 0,67%.

A Vale teve queda, prejudicando o desempenho do Ibovespa no dia. Os papéis preferenciais da mineradora tiveram perda de 2,39%, para R$ 10,23. Os ordinários cederam 3,85%, para R$ 12,74.

Fora do Ibovespa, as units do BTG Pactual subiram 7,59%, para R$ 15,60. As ações da rede de drogarias Brasil Pharma, cujo maior acionista é o BTG Pactual, cederam 1,01%, para R$ 5,90 cada uma.

O STF acolheu argumentos da defesa do banqueiro André Esteves, ex-presidente do BTG, e determinou nesta quinta-feira que ele saia da prisão. Esteves havia sido preso em 25 de novembro, no âmbito da Operação Lava Jato da Polícia Federal.
Desde então, as units do banco BTG já perderam 49,5% de seu valor. Os papéis da Brasil Pharma cederam 69,7% no período.

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