Número de homicídios é o maior dos últimos 7 anos


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Peritos da Polícia Civil trabalham na noite de 7 de dezembro após polícia matar acusado de roubar propriedade de Adilson Meirel
Peritos da Polícia Civil trabalham na noite de 7 de dezembro após polícia matar acusado de roubar propriedade de Adilson Meirel
Os últimos dias e semanas em Franca têm sido de violência. Assaltos seguidos de morte, crimes passionais concretizados e diversas tentativas de homicídio surpreenderam até mesmo as autoridades policiais, que têm visto estatísticas maiores do que as registradas em anos anteriores. Um exemplo disso são os homicídios e latrocínios, que atingiram a marca de 24 casos no último fim de semana. O índice, segundo a Polícia Civil, é o maior registrado desde 2007. No ano passado, foram 19.
 
Qual é a explicação plausível para o aumento da violência? Não existe. De acordo com o delegado Márcio Murari, titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e responsável por apurar as ocorrências, fora os crimes passionais, as mortes foram motivadas por dinheiro, álcool e drogas. “Estou na DIG há nove anos e nunca tive um ano em que ocorreram tantas mortes como em 2015. O recorde foi em 2009, período em que 22 pessoas foram assassinadas. Lamentavelmente, o ser humano se tornou mais violento com o decorrer do tempo”, disse.
 
Dos 24 homicídios e latrocínios registrados até agora, 13 já foram esclarecidos pelo setor de investigações da DIG. Onze seguem à espera de indiciamentos, sendo que dois estão próximos de um desfecho. Um destes ocorreu em fevereiro e o outro no início de setembro. Do total de vítimas deste ano, em apenas sete casos a polícia não identificou envolvimento dos mortos com os assassinatos ou sinais de desavenças anteriores entre os acusados e das vítimas.
 
Em dezembro
O último mês do ano tem se mostrado tão violento quanto os anteriores. Em menos de sete dias, já foram dois assassinatos, sendo um latrocínio e o outro um crime passional. Os responsáveis foram identificados, mas seguem sob investigação para que os inquéritos sejam finalizados pela DIG.
 
No dia 7 de dezembro, ao retornar para seu sítio, localizado na rodovia Fábio Talarico, o agricultor Adilson Moreira de Meirel, de 36 anos, foi abordado por pelo menos dois indivíduos armados a bordo de um Gol. Ele estava na companhia de seu irmão e dois primos quando um tiro acertou sua cabeça. Guilherme Rodrigues dos Santos, 24, e um adolescente de 16 anos, tinham acabado de roubar a mulher do agricultor e seus dois filhos, de 11 e 7 anos. Eles fugiram para Franca com R$ 3 mil.
 
Seguidos pela Polícia Rodoviária até o Jardim Aeroporto, onde moravam, os suspeitos perderam o controle do Gol, que caiu pela ribanceira, e abriram fogo contra os policiais que cercaram o bairro. Na troca de tiros, Guilherme foi a tingido duas vezes e o menor fugiu. Acompanhado de seu advogado, ele se apresentou uma semana depois na delegacia. Disse que o pai é tratorista e prestou serviço naquela região. Ele ajudou no trabalho, viu a movimentação no sítio da vítima e avisou Guilherme. Há a suspeita de que mais pessoas estejam envolvidas.
 
O outro assassinato foi uma tragédia em família. No sábado, o fazendeiro Daniel Ribeiro Jacintho, 44, matou a dois tiros na cabeça a mulher Noêmia Martha Bordignon Jacintho, 36. Ele estava em uma boate da rodovia João Traficante quando a professora chegou. Eles discutiram e há a suspeita de que Noêmia tenha tentado atirar na direção de Jacintho. O disparo pegou no veículo do fazendeiro, uma GM Montana, e ele a desarmou para depois matá-la e cometer suicídio.
 
Para Márcio Murari, independente do objeto usado, esses crimes continuam acontecendo devido às reações extremas das pessoas e a crença de que não há punição. “Quem quer matar, usa qualquer coisa. Faca, arma, qualquer objeto. Os crimes acontecem por pouca coisa e motivos fúteis. A legislação não intimida aquele que quer praticar o crime”, finalizou.

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