Verdadeiro protagonista


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A verdade é que o governo Alckmin ‘arregou’ frente ao movimento estudantil e acabou abortando as mudanças pretendidas para o ensino público estadual. Elas resultariam no fechamento de várias escolas e a recolocação de alunos em outros estabelecimentos de ensino.
 
Especialistas em educação ouvidos sobre as medidas pretendidas pelo governo, asseveraram que elas poderiam trazer enormes benefícios didáticos e pedagógicos, além de permitir a diminuição de gastos com a educação no Estado, mas não foram previamente discutidas com o conjunto da sociedade, especialmente com professores, pais, e o próprio corpo discente das escolas que sofreriam as mudanças.
 
Resultado: revolta, motim, depredações e suspensão das aulas de forma a prejudicar sobremaneira o ano letivo. O fato acabou gerando o pedido de demissão entregue pelo Secretário da Educação, Herman Voorvald, e aceito pelo governador Geraldo Alckmin.
 
O episódio nos permite concluir que no Brasil vaie distante o tempo em que a sociedade ‘engolia’ as decisões governamentais, sujeitando-se de forma subserviente. 
 
Recentes movimentos populares acabaram por ensinar o povo a debelar contra medidas que contrariam direitos, tudo ao melhor estilo de países desenvolvidos, onde o povo exercita cidadania de forma plena e eficaz.
 
O olhar de alguns retrógrados e conservadores, infelizmente, é de reprovação quando esses movimentos eclodem. 
 
Porém, para todos aqueles que buscam o resgate de um Estado Democrático de Direito, essas manifestações são positivas e merecem ser comemoradas.
 
Talvez pela imprudência e falta de tato do governo, tenha sido obstada a implementação de medidas importantes para o ensino. 
 
De qualquer forma o episódio serve para alertar os nossos governantes do fato de que, o povo, sempre, deve ser ouvido, pois é protagonista e não coadjuvante. 
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial, Professor da Faculdade de Direito de Franca

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