No mesmo dia em que movimentos sociais e partidos que sustentam Dilma Rousseff (PT) foram às ruas contra o “golpe do impeachment”, como eles próprios anunciaram, em manifestações ordenadas, mas que não conseguiram a mobilização da população no último domingo, a presidente só recebeu más notícias. O STF (Supremo Tribunal Federal) deu início ao julgamento em que definirá o que vale ou não no processo que poderá resultar no seu impedimento. Relator do caso na Corte, o ministro Edson Fachin apresentou seu voto ao longo da sessão e impôs importantes derrotas ao Planalto. Ele rejeitou os principais pedidos dos governistas e do PCdoB, à exceção do direito de Dilma ser notificada e poder se defender antes do parecer final da comissão especial do impeachment na Câmara e do processo e julgamento no Senado. Os demais ministros do Supremo devem concluir o julgamento hoje, mas a sessão pode se estender para os próximos dias.
Pelo voto do relator, a votação que escolheu uma chapa para decidir pelo processo é válida. Além disso, o ministro argumenta que o Senado não poderá se negar a instaurar o processo enviado pela Câmara, o que os governistas defendiam, certos de que o presidente da Casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), tomaria esta decisão. Finalmente, o relator impôs outra derrota a Dilma, ao garantir a manutenção do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à frente do processo. As notícias não poderiam ser piores, ainda mais quando o País vê rebaixada pela segunda vez a sua nota de bom pagador por outra agência de classificação, o que pode causar fuga maior de investidores estrangeiros.
Dilma Rousseff, que ainda acredita numa reviravolta no caso, pode ser jogada no bico do corvo, como se diz por aí. Mas há quem faça outra analogia: deve ser atirada às feras. Contabilidade informal mostra que a presidente pode perder seu cargo no plenário da Câmara, decisão que deve se repetir no Senado, uma vez que até seus mais fiéis aliados se mostram propensos a votar com a oposição, principalmente depois da operação da Polícia Federal contra peemedebistas na última terça-feira. Com uma maioria dos brasileiros defendendo a sua deposição, principalmente depois da campanha eleitoral mentirosa que lhe deu o segundo mandato, a presidente não dispõe de estabilidade para continuar comandando os destinos do Brasil. Os desacertos da economia, que levaram o País às portas de uma profunda depressão, não serão revolvidos com canetadas e mais aumentos de impostos. Falta credibilidade a Dilma Roussef e, principalmente, capacidade para resolver a crise. Uma mudança de governo, a esta altura, é a única saída.
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