Durante todo o domingo e segunda-feira, era improvável estar em um lugar em que a morte do casal Daniel Ribeiro Jacintho, 44, e Noêmia Martha Bordignon Jacintho, 36, não fosse assunto. O fazendeiro, que atirou duas vezes na cabeça da mulher e depois se matou em uma boate da rodovia João Traficante, foi sepultado no início da tarde de ontem. Já Noêmia, sob chuva e forte emoção, foi enterrada no domingo.
Em meio às rodas de conversa nos velórios, ocorridos no São Vicente, estavam comentários sobre como entender as razões dessa história de amor ter sido interrompida de forma tão violenta por Jacintho. “Por que ele fez isso? Pareciam viver tão bem. Ela o chamava de príncipe e todo mundo dizia que eram uma benção um para o outro”, comentou uma das mulheres que aguardava do lado de fora da sala onde o fazendeiro era velado.
Sob condição de anonimato, pessoas que conheciam o casal aceitaram falar à reportagem do Comércio da Franca. Uma delas, que teria apresentado Noêmia a Jacintho, há mais de dois anos, mostrou estar inconformada com a tragédia.
“Ela frequentava minha casa e já viajamos juntas. Acompanhava os dois, tínhamos grande amizade. Mas, por conta do ciúme e possessão da Noêmia, acabei me afastando dela”, disse. Ainda segundo seu relato, o final do primeiro casamento do fazendeiro aconteceu após a ex-mulher descobrir que ele frequentava locais como a boate em que estava no dia de sua morte.
Outra mulher, uma ex-namorada dele, estava chocada. “Tivemos um relacionamento de pouco tempo. Ele conheceu a Noêmia um mês depois. Eles foram morar juntos e, não muito distante disso, se casaram. Ela o acompanhava em tudo e ele dizia que a amava muito. Nunca imaginei que ele atiraria em alguém e se mataria depois”, afirmou a mulher.
Dentre as pessoas ouvidas pela reportagem, também estava uma amiga da ex de Jacintho. Assim como os outros, ela confirmou que o fazendeiro frequentava boates. Mais: que Noêmia foi alertada sobre o comportamento do marido. “Ele já tinha um histórico desse tipo de coisa que ele fazia, das ameaças contra a ex e não foi por falta de aviso que ela casou”.
Um casal que conhecia a professora desde criança e que frequentava a fazenda onde ela morava com Jacintho, em Patrocínio Paulista, esteve nos velórios, que aconteceram em salas separadas e horários distintos. “Ele era um cara alegre, extrovertido e apaixonado por ela. Estávamos em um torneio de basquete, bebemos um pouco e depois ele foi para aquele lugar. Não compreendemos. Os dois pareciam viver tão felizes”, disse ele. “Não dá para entender o que se passou ali para que uma fatalidade assim acontecesse. Ela era um doce de pessoa”, contou a mulher.
Diversas dúvidas ainda deverão ser esclarecidas nos próximos dias. Entre elas, o motivo da arma, um revólver calibre 38, estar na posse de Jacintho. Ela seria registrada no nome de seu pai. Além disso, a Polícia Civil busca entender o que aconteceu antes do assassinato. Para isso, familiares e testemunhas serão chamados para prestar depoimentos na DIG (Delegacia de Investigações Gerais).
História
De família tradicional, Jacintho frequentava as cavalhadas desde criança. Era pai de três filhos: uma jovem de 20 anos, um de 13 e outra de 3. Contra ele, segundo a polícia, pesavam acusações de agressão.
Em 2014, o fazendeiro bateu na testa de sua ex-mulher quando ela tentava fechar o portão de casa. Ele ainda sacou uma arma da cintura e chegou a ameaçá-la.
Ele conheceu Noêmia na casa de alguns amigos dias após vê-la em um show e começaram a namorar. A mulher, que trabalhou como professora das escolas Professor Dante Guedine Filho e Anglo, recentemente havia passado em um concurso para atuar como coordenadora de uma escola.

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