Setor calçadista de Franca deve começar ano de 2016 no vermelho


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José Brigagão, presidente do Sindifranca, diz que cenário preocupa: “Nos últimos anos, eram 24 mil trabalhadores, em 2016 serão 19 mil
José Brigagão, presidente do Sindifranca, diz que cenário preocupa: “Nos últimos anos, eram 24 mil trabalhadores, em 2016 serão 19 mil
O setor calçadista de Franca deve entrar em 2016 no vermelho. Serão 5 milhões a menos de pares produzidos e quase um terço de toda mão-de-obra desempregado. Os dados são do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) que fez um balanço dos resultados de 2015. Para piorar, não há perspectivas de melhoras a curto prazo. “Teremos um ano nebuloso pela frente”, sentenciou José Carlos Brigagão, presidente da entidade que representa os empresários do setor. 
 
A maior preocupação é com o desemprego. Para Brigagão, será muito difícil que os demitidos neste fim de ano sejam recontratados até fevereiro como normalmente acontece. “Já tivemos um final de ano difícil. Estamos envoltos em uma crise de grandes proporções. Não há sinais de recuperação. As fábricas não têm pedidos nem no mercado interno nem para exportação. O começo de ano, mesmo com a Couromoda, não acredito que será diferente disso”. 
 
Com um terço dos sapateiros fora das fábricas, a queda na produção será a consequência mais direta. “Já tivemos um corte de 5 milhões de pares e, para 2016, não descartamos novas reduções. Para se ter uma ideia do quanto o cenário preocupa, nos últimos anos, iniciamos com 24 mil trabalhadores, em 2016 serão apenas 19 mil”.
 
O presidente do Sindifranca acredita que, com toda a crise política vivida pelo Brasil com o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), as soluções que poderiam vir dos governos estadual e federal também ficam prejudicadas. “Os políticos estão focados nesta crise do governo Dilma. Não há clima para discussão de qualquer outro assunto. Enquanto isso não se resolver acho difícil que a economia do País caminhe”. 
 
O Comércio ouviu diretores de três grandes empresas da cidade que tiveram de demitir boa parte dos trabalhadores da linha de produção neste final de ano. Todos não quiseram ser identificados, mas foram unânimes em concordar com o cenário anunciado por Brigagão. “Não é uma questão de vontade. Ninguém gosta de demitir e parar produção. Mas não podemos continuar gastando sem ter pedidos, sem ter venda. Não dá. Temos de esperar e rezar para que a Couromoda, que acontece em janeiro, mude esse cenário”, disse um deles, que trabalha em uma fábrica com produção diária de 5 mil pares.
 
Contramão
O presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Agnaldo Madaleno, confirmou os números citados por Brigagão, mas negou que haja motivos para preocupação. “Esses números são os mesmos registrados todos os anos. Não há motivo para alarde. Acreditamos que a recontratação acontecerá como sempre aconteceu”. 
 
Ele atribuiu as afirmações temerosas dos industriais à proximidade das negociações salariais da categoria. “Para mim, é jogada política. Não acho justo ele assustar os trabalhadores assim. Não vejo motivo para pânico”. 
 
Agnaldo afirmou que as demissões registradas no sindicato (aquelas de trabalhadores com mais de oito meses de vínculo) se referem mesmo à sazonalidade do setor. “Temos visitado as fábricas e não estão fechando as portas por conta da crise. Estão dispensando para depois recontratar como sempre fizeram. E vão continuar fazendo”. 

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