Sob o eufemismo de ‘morte assistida’, alguns Estados americanos, quem sabe se por humanidade ou economia, têm aprovado leis que autorizam enfermos a pôr termo à própria vida, por doença ‘decretada’ terminal.
Do ponto de vista das leis dos homens, o problema está resolvido, mas o expediente fica em débito com a ética e a moral, daí, algumas questões suscitáveis: para um doente em desesperança, o conhecimento da autorização legal tem, em si mesmo, força de sugestão letal, apoiada no fato de que seu estado terminal é uma certeza da ciência médica.
Outra é que a possibilidade de cura, conquanto escassa, possa surgir a qualquer momento.
O merecimento da cura é sempre resultante da resignação com que o enfermo sofre, certo de que seu sofrimento é remédio amargo que atende a pedido seu ante conduta reprovável, nesta ou em vidas anteriores, da qual ele mesmo suplicou dor física em troca de alívio da consciência, ansiosa por redimir-se.
É, então, que devemos considerar que, além de mais alguns minutos de dor significar tratamento de beleza para o espírito, o suicídio não resolve a irreversibilidade da doença, complicando ainda mais a situação do doente, já que a vida não se extingue com a morte do corpo físico, como bem o comprovam renomados cientistas em diversos campos de pesquisa.
Acresce-se que, independentemente de ateísmo ou religião, um princípio natural, que nos preside a todos, sem exceção, enuncia que a finalidade suprema das leis divinas é a evolução, que antecipa a felicidade de quantos a buscam. E buscá-la é resignar-se ante o sofrimento, depois que, por concessão da misericórdia de Deus, tivemos muitas vidas felizes e saudáveis, porém desperdiçadas.
Conclui-se que da consciência não podemos fugir porque, se o espírito é a essência do ser, a consciência é a essência do espírito, ciente de que sofrer é resgatar, lembrando o enunciado de Jesus: ‘Bem-aventurados os que sofrem.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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