Quem chega a Franca pela primeira vez e vê as propagandas pagas com o dinheiro do contribuinte exaltando a administração municipal, pode pensar que a cidade vive em estado de graça diante das agruras que pesam sobre o resto do País. Na propaganda oficial, Franca apresenta excelência no atendimento público de saúde, tem uma das melhores redes de ensino municipal do País, os serviços públicos (como transporte urbano) são de primeiro mundo e aqui a recessão passou longe. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), ostentando os óculos cor de rosa que colocou no seu primeiro dia de mandato, vê uma Franca edulcorada. Ao estranho, que não acompanhou as inúmeras trapalhadas e irregularidades, a administração do município está nas mãos de um prefeito competente e cioso de suas responsabilidades. A propaganda oficial mostra isso e ignora que a ação do popular Xandão deixa Franca à beira do caos, principalmente no que tange ao atendimento médico prestado à maioria de nossa população.
Depois de permitir que uma quadrilha de falsos médicos atuasse nos Prontos-socorros do município, além de pagar fortunas para plantões inexistentes, o prefeito volta a atuar no setor: ele tenta uma manobra para convencer os médicos da Prefeitura a colaborarem trabalhando mais. Já está na Câmara um projeto de lei, para ser votado em regime de urgência, que cria uma nova forma de remuneração para os plantonistas que aceitarem ampliar a carga horária. Por ele, o médico que cumprir mais de 4,5 plantões de 24 horas por mês (cota mínima estabelecida por lei) terá direito a um aumento de 61% nos seus rendimentos. O valor pago pela Prefeitura por plantão acima da cota passa de R$ 731,50 para R$ 1.181,52.
A manobra, se aprovada pela Câmara e implantada por Alexandre, pode recriar a famosa ‘indústria de horas-extras’, inflando os salários dos médicos ao submetê-los a uma jornada desgastante que só pode ser prejudicial aos pacientes. Isso permitiria que a lei, mais uma vez, fosse ignorada. Em vez de efetuar uma completa reformulação do setor, Alexandre Ferreira tenta ‘empurrar’ o problema com a barriga, legando-o ao seu sucessor, acreditando num conluio com a Câmara — que recentemente demonstrou, nos casos da verba para a Acif e do veto ao aumento da segurança nos bancos, certa rebeldia —, cuja maioria sempre acatou as suas ordens. Mais uma vez, o prefeito aumenta o tamanho de sua cova, ao flertar com a irregularidade em vez de buscar uma saída legal. Ele que abra os olhos já que, se mantiver esta postura, poderá cavar um buraco muito fundo do qual não conseguirá sair com facilidade.
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