Em um período de sete dias, os motoristas foram por duas vezes surpreendidos com a queda no preço dos combustíveis nos postos de Franca. No último dia 4, o Comércio noticiou uma baixa de R$ 0,20 nos valores praticados e, na ocasião, o álcool e a gasolina custavam, em média, R$ 2,49 e R$ 3,49, respectivamente. Desde a última quinta-feira, os combustíveis estão sendo encontrados a R$ 2,29 e R$ 3,29, em média.
Embora favorável aos consumidores, o cenário atual é, segundo o Procon, instável. “Não temos um panorama da situação para os próximos dias. Não esperávamos nem por essa queda atual”, disse o coordenador do órgão em Franca, Willian Karan Júnior. Já de acordo com pessoas ligadas a postos de combustíveis, trata-se de uma queda momentânea que se encerrará tão inesperadamente como começou. “Baixamos o preço em razão da concorrência. Estamos numa guerra por preços, mas não temos como sustentá-la por muito tempo, porque estamos com uma margem de lucro quase zero”, disse um proprietário que preferiu não ser identificado.
Os preços praticados nos postos de Franca vêm sendo alvo de polêmica já há algum tempo. Em outubro, o Procon divulgou um aumento de mais de 15% nos combustíveis e, no mesmo mês, manifestantes saíram em carreata abastecendo valores irrisórios e efetuando os pagamentos com cartões de crédito. Na ocasião, o álcool, a gasolina e o diesel saltaram, respectivamente, de R$ 2,04 para R$ 2,36, de R$ 3,23 para R$ 3,46 e de R$ 2,71 para R$ 2,80.
“Essa gangorra nos preços não deixa a gente se organizar direito. Fiz duas viagens longas nos últimos dias e em cada uma o combustível estava com um preço diferente. A gente fica sem saber que orçamento do frete passar para o cliente”, disse o caminhoneiro José Eduardo Serqueira.
Investigação de cartel
A ação mais recente ligada aos preços de combustíveis praticados em Franca foi feita por parte do Ministério Público. No último mês, o órgão instaurou um inquérito civil para investigar possíveis crimes de cartel de preços, ameaça e fraude nas bombas que estariam sendo praticados pelos donos de postos na cidade. As suspeitas foram aventadas após denúncias anônimas e a publicação de uma pesquisa do Procon, divulgada em 9 de novembro, que apontava preço único na gasolina em 30 postos.
“As investigações do Ministério Público estão em andamento”, disse o promotor de Justiça dos Direitos do Consumidor, Murilo César Lemos Jorge. “Não nos passaram nenhuma informação a esse respeito, mas eu acredito que a ação do Ministério possa, sim, ter ajudado nessas quedas de preços recentes.”
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